Câmara abre ano legislativo reforçando compromisso com diálogo e população
Sessão solene em Campo Grande reúne vereadores, prefeita e autoridades e marca retomada dos trabalhos em 2026
CÂMARA MUNICIPALA Câmara Municipal de Campo Grande abriu oficialmente, na manhã desta segunda-feira (2), o ano legislativo de 2026 com uma sessão solene marcada por recados políticos e promessa de diálogo. O presidente da Casa, vereador Epaminondas Neto, o Papy, destacou que o foco será atender demandas concretas da população.
“A Câmara está sempre disponível a ouvir e servir. Temos compromisso com a população”, afirmou Papy, ao apontar que os vereadores têm recebido reivindicações e encaminhado soluções. Para ele, o momento exige serenidade, mas também firmeza. “Precisamos agir com esperança, responsabilidade, fé, argumentos abstratos, mas que fazem diferença no dia a dia. Precisamos trabalhar sempre para o melhor, assim é o meu posicionamento pessoal”, disse.
O presidente também ressaltou o papel de fiscalização do Legislativo, citando a CPI do Transporte Coletivo como exemplo de atuação firme. “O papel da Câmara está sendo feito com coragem”, afirmou, lembrando que a comissão apontou problemas e “colocou o dedo na ferida”.
Segundo Papy, independência política não impede diálogo com o Executivo. “A independência não é impedimento do diálogo. Representa proximidade com a população, além do dever da Câmara em atender as pessoas”, afirmou. Para ele, a Câmara cumpre sua função quando enfrenta temas sensíveis. “Quando a Câmara faz barulho, ela cumpre seu papel de dar voz a quem não pode falar. Os problemas são encarados frente a frente, tendo o diálogo como principal ferramenta.”
Papy também destacou a pluralidade da Casa como algo positivo. “A Câmara ser diversa é uma virtude, precisa ser representada pelos diferentes”, afirmou. Ele encerrou o discurso com um recado direto sobre o que a população espera do poder público.
“Campo Grande não quer briga política. As pessoas querem soluções para suas vidas, dignidade para andar no ônibus, asfalto na frente de casa, matricular criança na creche, pegar remédio no posto. É o básico para dignidade e que as pessoas querem na cidade”, disse, defendendo um pacto pelo município.
A pluralidade citada por Papy apareceu na abertura da solenidade. Representando a oposição, a vereadora Luiza Ribeiro, líder do PT na Câmara, usou a tribuna para apontar falhas na gestão municipal e lembrar que a crítica também faz parte da democracia.
Ela mencionou dados de pesquisas que indicam elevada reprovação da administração. “Pesquisas mostram que 80% das pessoas reprovam a gestão municipal”, afirmou, citando como principais problemas o transporte público deficitário e dificuldades na área da saúde, como a falta de medicamentos.
“Não podemos ser indiferentes a essa dor. Essas questões são relevantes para nossa cidade”, disse Luiza. Para a vereadora, o papel da Câmara é encarar esses temas sem omissão. “Lembramos que a responsabilidade é de todos”, completou.
Pela base aliada, o vereador Wilson Lands ressaltou que governar exige escolhas impopulares em alguns momentos. “Governar exige decisões difíceis e, muitas vezes, decidir corretamente significa enfrentar críticas”, disse.
Ele afirmou que Campo Grande convive com uma “distorção histórica” na partilha do ICMS, o que reduz a capacidade de investimento. Ao mesmo tempo, defendeu que ser base do governo não significa apenas apoiar, mas também fiscalizar. “Ser base do governo municipal significa propor, fiscalizar e melhorar a vida das pessoas em todas as áreas”, afirmou.
Wilson destacou investimentos anunciados pela prefeitura, como o projeto de infraestrutura que prevê asfalto em 40 bairros da Capital. “Isso muda a vida das pessoas, principalmente daqueles que estão nos extremos da cidade”, disse, citando ainda avanços em emprego e educação.
e reforçou a necessidade de parceria entre Executivo e Legislativo. “Se o Executivo quer avançar, precisa da parceria e da construção positiva da Casa de Leis”, afirmou, reconhecendo que nem sempre há consenso.
Ela lembrou que 2025 foi um ano de ajustes duros nas contas municipais. “Os ajustes na administração municipal foram amargos, com cortes de salários, diminuição de custeio, do número de servidores”, disse.
Adriane afirmou, porém, que o objetivo é colher os resultados nos próximos anos. “2025 foi amargo, mas para os próximos três temos compromisso de fazer entregas”, declarou. Entre as prioridades, a prefeita citou as obras de asfalto em 40 bairros, a meta de zerar a fila de espera nas escolas infantis e a ampliação das ações de tapa-buraco.
Durante a solenidade, ela entregou aos vereadores o Relatório de Atividades de 2025, como forma de prestar contas à Câmara.
A sessão também reuniu representantes do Governo do Estado, da bancada federal e de instituições como a Defensoria Pública, além de secretários municipais. O tom foi de reafirmação de parcerias para viabilizar obras e investimentos.
Em nome da bancada federal, o deputado Dagoberto Nogueira destacou que a função do Parlamento vai além de agradar ao eleitor. “É fácil votar no que as pessoas esperam, mas temos que ter muita responsabilidade com o Estado, País e Município”, afirmou.
Dagoberto lembrou emenda conjunta para a construção do viaduto da Coca-Cola, na Avenida Gury Marques. “Anunciamos aqui na Câmara uma emenda para a obra do viaduto da Coca Cola, que deve custar R$ 90 milhões, executada pelo Governo do Estado com recursos da bancada federal”, disse.
O deputado também antecipou novos investimentos em infraestrutura urbana. “Serão disponibilizados mais R$ 100 milhões para tapa-buraco e recapeamento, além de R$ 60 milhões para habitação”, anunciou.
Representando o Governo do Estado, o secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Junior, reforçou o discurso de parceria. Ele destacou o desempenho econômico de Mato Grosso do Sul. “O PIB do Estado teve crescimento de 13,4%, quatro vezes superior à média nacional”, afirmou.
Para ele, o resultado está ligado ao trabalho conjunto com municípios. “Isso mostra que a receita de parceria tem funcionado e as entregas transformam a qualidade de vida e oportunidades que a geração futura começa a colher desde agora”, avaliou.
Walter ressaltou que Mato Grosso do Sul está entre os estados com menor taxa de pobreza e defendeu a continuidade de investimentos em infraestrutura na Capital. “O Governo é parceiro de Campo Grande, juntamente com as bancadas estadual e federal, e não se furtará a enfrentar problemas”, garantiu, citando temas como transporte e repasses à Santa Casa.
Com a solenidade de abertura concluída, a Câmara Municipal de Campo Grande realiza nesta terça-feira (3) a primeira sessão ordinária de 2026. Os vereadores vão analisar dois projetos de lei e o veto do Executivo ao Projeto de Lei Complementar 1.016/26.
A proposta veta a suspensão dos efeitos do Decreto 16.402/2025, que autorizou o aumento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares para 2026. A votação deve medir o clima político logo no início do ano legislativo, em um cenário em que tanto situação quanto oposição afirmam estar focadas, ao menos no discurso, em dar respostas práticas à população.