Agência Brasil | 01 de fevereiro de 2026 - 09h30

Três em cada dez desaparecidos no Brasil são crianças ou adolescentes

Meninas concentram a maioria dos registros de desaparecimento entre menores de 18 anos

DESAPARECIMENTOS
Dados oficiais mostram que quase 30% dos desaparecimentos registrados no Brasil envolvem crianças e adolescentes. - (Foto: Freepik)

Quase três em cada dez registros de pessoas desaparecidas no Brasil em 2025 envolveram crianças e adolescentes. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública indicam que, das 84.760 ocorrências contabilizadas no ano, 23.919 dizem respeito a pessoas com menos de 18 anos, o equivalente a 28% do total.

Na prática, o número representa uma média de 66 boletins de ocorrência por dia em delegacias de todo o país envolvendo o desaparecimento de crianças e adolescentes. O volume é 8% maior que o registrado em 2024, quando foram contabilizados 22.092 casos nessa faixa etária, crescimento proporcionalmente superior ao avanço de 4% dos desaparecimentos gerais no mesmo período.

Mesmo abaixo do pico de 2019, quando foram registradas 27.730 ocorrências no ano de implantação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, os dados de 2025 mantêm a tendência de alta iniciada em 2023, após um período de queda nos registros oficiais.

Outro dado que chama atenção é o perfil das vítimas. Embora os homens representem 64% do total de pessoas desaparecidas no país, entre crianças e adolescentes a maioria dos casos envolve meninas, que correspondem a 62% das ocorrências registradas.

Desde 2019, a legislação brasileira considera desaparecida qualquer pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa, até que sua localização e identificação sejam confirmadas por meios físicos ou científicos.

Especialistas apontam que os desaparecimentos podem ocorrer em diferentes contextos. Há casos classificados como voluntários, quando a pessoa sai por vontade própria, involuntários, sem uso de violência, e forçados. A coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil, da Universidade de Brasília, Simone Rodrigues, destaca ainda situações em que o sumiço ocorre como forma de sobrevivência, como mulheres que fogem de relações abusivas ou crianças vítimas de maus-tratos, ressaltando que as causas são diversas e complexas.

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que a maior parte dos desaparecimentos ocorre entre sexta-feira e domingo, período em que há menor supervisão familiar e maior circulação de pessoas.

Um dos casos recentes envolve o menino I.S.B., de 10 anos, que desapareceu em Curitiba no dia 27 de dezembro do ano passado. Ele saiu da casa do pai para brincar, afastou-se sem perceber e passou três dias fora, sendo localizado por um idoso que reconheceu o alerta divulgado nas redes sociais e acionou a polícia.

Segundo o pai, Leandro Barboza, o menino contou que teve medo de voltar para casa à noite e acabou dormindo na rua, não muito longe da residência. “A gente nunca sabe o que passa na cabeça de uma criança”, relatou. Ele descreveu os dias de busca como um período de angústia constante, marcado por medo e incerteza.

Leandro também relatou críticas recebidas nas redes sociais e afirmou que famílias que passam por esse tipo de situação precisam de mais apoio psicológico e orientação especializada. Atualmente, o menino acompanha o pai durante o trabalho, enquanto a família tenta evitar novos episódios.