Agência Brasil | 01 de fevereiro de 2026 - 08h50

Veja como checar dados oficiais sobre a saúde financeira do seu banco

Ferramentas do Banco Central e indicadores públicos ajudam consumidor a avaliar real situação das instituições

ECONOMIA
Consumidores podem consultar dados oficiais para avaliar a situação financeira de bancos em operação. - (Foto: Drazen Zigic/Freepik)

Com a liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central desde o fim de 2025, aumentaram os alertas sobre a saúde de bancos em operação no país. Parte dessas informações, no entanto, circula sem base em dados oficiais, o que gera insegurança entre correntistas e investidores. Para evitar decisões precipitadas, existem formas simples e públicas de verificar se uma notícia negativa procede ou se é apenas desinformação.

A checagem passa por consultas diretas a sistemas oficiais, análise de indicadores básicos e atenção a sinais objetivos do mercado financeiro. Veja os principais pontos que devem ser observados:

1. Confirme se o banco é autorizado pelo Banco Central

O primeiro passo é verificar se a instituição está autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil. A consulta pode ser feita no site do BC, no serviço “Encontre uma instituição”, disponível no menu Meu BC. Bancos não autorizados não podem operar legalmente no sistema financeiro nacional.

2. Consulte bases oficiais de dados financeiros

Informações confiáveis estão disponíveis em plataformas públicas. A Central de Demonstrações Financeiras do Banco Central permite acesso a balanços e resultados das instituições. O site Banco Data organiza esses números de forma mais simples e visual. Já os sites de Relações com Investidores, mantidos obrigatoriamente por cada banco, reúnem relatórios e dados atualizados.

3. Analise indicadores básicos de solidez

Alguns números ajudam a entender a situação financeira do banco. O Índice de Basileia indica a relação entre capital próprio e riscos assumidos, com mínimo exigido de 11% no Brasil. Lucros recorrentes sugerem estabilidade, enquanto alta inadimplência e capital excessivamente imobilizado reduzem a margem de segurança. Notas de rating atribuídas por agências também sinalizam a percepção de risco do mercado.

4. Verifique a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos

Para quem investe, é essencial confirmar se os produtos oferecidos pelo banco têm cobertura do FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Estão cobertos, entre outros, conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA. Produtos como CRI, CRA, debêntures, fundos e títulos de capitalização não têm essa proteção.

5. Desconfie de rentabilidade muito acima da média

Ofertas com retorno elevado exigem cautela. Bancos menores costumam pagar mais, mas taxas muito acima do padrão do mercado indicam risco maior. No caso de CDBs, especialistas apontam que rendimentos acima de 115% do CDI já merecem atenção redobrada.

6. Fique atento a sinais de alerta recorrentes

Alguns indícios costumam anteceder problemas mais graves, como queda contínua do Índice de Basileia, prejuízos frequentes nos balanços, rebaixamento de rating, investigações em andamento, ofertas agressivas para captar recursos e entrada em regimes especiais do Banco Central. Esses sinais não garantem uma quebra, mas ajudam a mapear o risco.

7. Compare com opções consideradas mais seguras

Para reduzir exposição, especialistas recomendam comparar as aplicações com alternativas de menor risco, como títulos do Tesouro Direto e produtos de grandes bancos, que costumam apresentar maior solidez e contam com a proteção do FGC.