Advogados de Epstein cogitaram delação ao FBI dias antes da morte
Arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que defesa discutiu cooperação, cita Trump e e-mails de Elon Musk
CASO EPSTEINOs advogados do financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais, chegaram a discutir um possível acordo de cooperação com o FBI semanas antes da morte dele. A informação aparece em documentos do caso tornados públicos nesta sexta-feira, 30, segundo o jornal britânico The Guardian.
De acordo com um dos registros, o encontro entre investigadores e defesa ocorreu em 29 de julho de 2019. “Em 29 de julho de 2019, o FBI se reuniu os advogados de Epstein, que, em termos muito gerais, discutiram a possibilidade de uma resolução do caso e a possibilidade de cooperação do réu”, afirma o documento.
Outros papéis divulgados na mesma leva reforçam que a conversa ainda estava em estágio inicial. “A defesa não fez uma proposta específica e não indicou qual seria a natureza da cooperação de Epstein, se houvesse”, diz um memorando do órgão. Ou seja, a delação chegou a ser colocada na mesa, mas sem detalhes sobre que tipo de informação o financista poderia fornecer.
O volume de material liberado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos ajuda a dimensionar a complexidade do caso. Ao todo, foram divulgadas cerca de três milhões de páginas de arquivos, 180 mil imagens e 2 mil vídeos. É, até agora, a maior quantidade de informações sobre Epstein já tornada pública pelo governo americano.
Entre os documentos, aparecem citações a figuras de grande projeção política e empresarial. Em uma denúncia anônima, uma mulher afirmou que uma amiga teria sido abusada pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os investigadores registraram o relato, mas apontaram que “os fatos narrados pela denúncia anônima não foram corroborados por outros elementos da investigação”.
Outro trecho que chama atenção envolve o empresário Elon Musk. Em e-mails anexados ao material, ele aparece marcando uma data para visitar a ilha de Jeffrey Epstein. Na troca de mensagens, o magnata pergunta quando aconteciam as “festas mais selvagens”, em referência aos eventos realizados no local.
A divulgação dessa nova leva de documentos não encerra as dúvidas em torno do caso Epstein, mas revela bastidores de negociações da defesa com autoridades e mostra como o nome do financista estava ligado a personagens influentes da política e do mundo dos negócios.