Douglas Vieira | 31 de janeiro de 2026 - 14h15

Executivo e vereadores discutem manutenção da taxa de lixo no IPTU em Campo Grande

Reunião na Câmara apresentou dados financeiros e antecede votação sobre veto da prefeita Adriane Lopes

IPTU 2026
Secretários municipais e vereadores discutem veto da prefeita à cobrança da taxa de lixo no IPTU 2026. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Secretários municipais e vereadores de Campo Grande se reuniram, na manhã deste sábado (31), na Câmara Municipal, para discutir a polêmica em torno do IPTU 2026. O encontro, realizado a portas fechadas, foi motivado pela inclusão do tema na pauta de votação da próxima terça-feira (3) e teve como foco principal a manutenção da taxa de lixo, cobrada junto ao imposto.

Participaram da reunião os secretários de Infraestrutura e Serviços, Marcelo Miglioli, e de Governo, Ulisses Rocha, que apresentaram dados técnicos para defender a manutenção do veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto aprovado pelos vereadores. A proposta do Legislativo suspendeu os efeitos do decreto que alterou os critérios de cobrança da taxa de resíduos sólidos domiciliares, o que impacta diretamente o valor final do IPTU pago pelos contribuintes.

Segundo Marcelo Miglioli, a Prefeitura considera a taxa essencial para evitar desequilíbrio financeiro nas contas municipais. O secretário apresentou números que mostram um descompasso crescente entre arrecadação e despesas com coleta, tratamento de resíduos e limpeza urbana. Em 2023, o município gastou cerca de R$ 119 milhões e arrecadou R$ 35 milhões. Em 2024, as despesas subiram para R$ 123,5 milhões, enquanto a receita chegou a R$ 41 milhões. Já em 2025, os custos alcançaram R$ 137 milhões, com arrecadação aproximada de R$ 41,8 milhões.

Para Miglioli, a correção da taxa é necessária para garantir a continuidade e a melhoria dos serviços de limpeza urbana e zeladoria, evitando que recursos de outras áreas sejam utilizados para cobrir o déficit.

O secretário de Governo, Ulisses Rocha, afirmou que a reunião teve caráter explicativo e buscou esclarecer aos vereadores os argumentos do Executivo. Ele destacou que, embora o debate público envolva o IPTU como um todo, o projeto aprovado pela Câmara tratou exclusivamente da taxa de resíduos, ao retomar critérios adotados em 2018. A Prefeitura, por sua vez, defende parâmetros mais recentes, considerados mais adequados do ponto de vista socioeconômico.

Ulisses reforçou que a arrecadação anual com a taxa gira em torno de R$ 40 milhões, enquanto os gastos totais com coleta de lixo, tratamento de resíduos e serviços de zeladoria chegam a aproximadamente R$ 180 milhões, o que obriga a administração municipal a remanejar verbas de outras áreas para manter os serviços.

Pelo Legislativo, o presidente da Câmara, Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy, afirmou que os parlamentares receberam informações técnicas para embasar a decisão que será tomada em plenário. Segundo ele, os vereadores ouviram tanto representantes do setor produtivo, que defendem a derrubada do veto por causa do impacto financeiro para empresas e moradores, quanto secretários municipais, que apresentaram planilhas detalhadas de custos e receitas.

Papy ressaltou que o encontro não teve caráter de pressão e destacou a urgência do tema, já que o prazo para pagamento do IPTU com 10% de desconto termina no dia 12. Ele também mencionou que existem alternativas em discussão para ajustar a taxa de lixo e os descontos oferecidos, na tentativa de construir um consenso após semanas de embate entre Executivo e Legislativo.

A discussão ganhou força nas últimas semanas após moradores reclamarem de aumentos considerados elevados em comparação a 2025 e questionarem a transparência e os critérios de cobrança. Além da exclusão da taxa de lixo, vereadores passaram a defender descontos maiores, como 20% para pagamento à vista, percentual que foi reduzido para 10% e contribuiu para a percepção de aumento do imposto.