Influenciadora critica convite atribuído ao BRB para ação paga em defesa do banco
Nathalia Arcuri diz que proposta envolvia roteiro e pagamento por conteúdos; agência nega aval do banco
REPERCUSSÃOA influenciadora Nathalia Arcuri criticou publicamente um convite atribuído ao Banco de Brasília (BRB) para uma ação de publicidade que buscaria defender a atuação da instituição financeira no chamado caso Master. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais após a criadora de conteúdo relatar que foi procurada por uma agência de publicidade para participar de um evento com produção de conteúdos pagos.
Segundo Nathalia, o contato partiu de uma agência que se apresentou como representante do BRB. A proposta previa a presença de influenciadores em um almoço e, posteriormente, a publicação de conteúdos nas redes sociais com base em um roteiro previamente definido. Para a influenciadora, a iniciativa ultrapassa o campo da comunicação institucional. “Quando um banco envolvido em escândalo precisa pagar influenciadores para ‘explicar a verdade’, o problema não é de comunicação. É de conduta”, afirmou.
Em nota, a agência Flap, responsável pelo convite, declarou que o contato com influenciadores “partiu de uma iniciativa interna de cotação para um evento ainda em fase preliminar de planejamento” e que não houve submissão ou aprovação da proposta pelo BRB. Procurado, o banco público não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
De acordo com o e-mail enviado a Nathalia e a outros criadores de conteúdo, os influenciadores deveriam apresentar orçamento para participar de um almoço, previsto para os dias 10 ou 24 de fevereiro. Pelo valor acertado em contrato, além da participação no encontro, seria exigida a publicação de um relato do evento nas redes sociais, seguindo diretrizes definidas pelo banco. O pagamento, conforme a proposta, ocorreria 40 dias após a ação.
A abordagem gerou críticas nas redes sociais, principalmente por lembrar um conjunto de publicações feitas no fim do ano passado que questionavam medidas adotadas pelo Banco Central em relação ao Banco Master, liquidado em 18 de novembro. À época, os conteúdos circularam de forma coordenada e levantaram suspeitas sobre campanhas de influência digital.
Nathalia afirmou que recusou a proposta e classificou o convite como uma tentativa de moldar a narrativa pública. “O convite vinha camuflado em cordialidade, mas o teor era claro: participar de um encontro com outros influenciadores, ouvir a versão oficial de um banco envolvido em escândalo financeiro e, em seguida, produzir conteúdos pagos para divulgar essa narrativa aos meus seguidores”, disse.
O caso ganha ainda mais relevância após decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF). Na quarta-feira (28), o ministro Dias Toffoli autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar a atuação de influenciadores em defesa do Banco Master no fim de 2025. Segundo relatos de criadores de conteúdo procurados à época, os materiais previam ataques ao Banco Central e a outras autoridades.
A investigação busca esclarecer se houve financiamento irregular ou tentativa de manipulação do debate público por meio de campanhas digitais. A repercussão do relato de Nathalia Arcuri reforça o debate sobre transparência, publicidade institucional e os limites éticos do uso de influenciadores em temas sensíveis do sistema financeiro.