Geovanna Hora | 30 de janeiro de 2026 - 17h15

Atos por justiça ao cão Orelha mobilizam capitais brasileiras neste fim de semana

Manifestações em quase todas as capitais e em cidades do interior cobram punição aos adolescentes investigados pela morte do animal em Florianópolis

NACIONAL
Caso da morte do cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, segue sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de Santa Catarina - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Marcados para este fim de semana, atos em quase todas as capitais brasileiras e em cidades do interior pretendem transformar em mobilização de rua a indignação pela morte do cão Orelha. As manifestações têm como objetivo pressionar por justiça e pela responsabilização dos envolvidos no caso, que ocorreu em Florianópolis e levou à abertura de investigação contra quatro adolescentes suspeitos de agredir o animal de forma violenta.

A agenda de protestos se espalha por diferentes regiões do País, com horários e pontos de concentração já definidos. Em comum, os atos trazem a mesma mensagem: cobrar que as autoridades conduzam o caso até o fim e que os responsáveis sejam punidos dentro da lei.

Em São Paulo, a manifestação está marcada para domingo, 1º de fevereiro, a partir das 10h. O ponto de encontro será o vão livre do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), na região da Bela Vista, um dos locais mais simbólicos da capital paulista para protestos e reuniões públicas.

A expectativa é de que o ato reúna moradores da cidade e também pessoas que se sensibilizaram com o caso do cão Orelha e queiram se posicionar contra a violência praticada contra animais. A escolha do Masp como local de concentração reforça o caráter de visibilidade da manifestação, já que a avenida Paulista costuma ser palco de diferentes mobilizações ao longo do ano.

Além da capital, o interior paulista também terá uma atividade voltada ao caso. Em Sorocaba, a manifestação está prevista para começar às 9h de domingo, no Pet Place do Parque Campolim. A presença de um espaço voltado para animais como ponto de encontro dá ao ato um tom ainda mais ligado à causa da proteção animal.

No Rio de Janeiro, estão programadas duas caminhadas no domingo. A primeira começa às 10h, no Aterro do Flamengo. O grupo deve se reunir em frente ao Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, na Glória, e seguir em direção ao Copacabana Palace, em Copacabana.

O trajeto, que liga a região central e de lazer da cidade até um dos pontos turísticos mais conhecidos do País, deve chamar a atenção de quem estiver circulando pela orla e pelas vias de acesso. Ao longo do caminho, a manifestação pretende reforçar o pedido de justiça no caso Orelha e se somar às ações realizadas em outras cidades.

A segunda caminhada está marcada para as 16h de domingo. Dessa vez, o ponto de partida será o Posto 2 de Copacabana, com deslocamento até o final da Praia do Leme. Assim, o Rio terá dois momentos distintos durante o dia destinados a dar visibilidade ao caso, em horários que costumam ter grande concentração de pessoas na orla.

Em Brasília, a mobilização ocorre no sábado, 31, um dia antes da maioria dos atos programados pelo País. O encontro está marcado para as 16h no Parque Dog, localizado no Setor Sudoeste.

A manifestação na capital federal é organizada pela Associação Apdog, que orientou os participantes a comparecerem vestidos de preto. A escolha da cor costuma simbolizar luto e protesto, reforçando o caráter de indignação pela morte do cão Orelha. A entidade também busca, com o ato, somar a voz de moradores de Brasília às cobranças por esclarecimentos e responsabilização no caso.

Florianópolis, cidade onde o cão Orelha foi agredido e acabou morrendo, também terá manifestação neste domingo. O ato está marcado para as 10h, no trapiche da Avenida Beira Mar Norte, região central da capital catarinense.

O local escolhido é um dos pontos mais conhecidos da cidade, às margens da avenida que concentra grande fluxo de veículos e pedestres. A ideia é que a manifestação seja vista por quem circula pela região e ajude a manter o caso em evidência enquanto as investigações seguem em andamento.

No Nordeste, Salvador também integra o mapa de atos. Na capital baiana, a manifestação está prevista para começar às 10h de domingo, no Farol da Barra, outro ponto emblemático e de grande movimentação de moradores e turistas.

Com isso, as mobilizações se dividem entre cidades onde os protestos costumam ganhar grande repercussão e locais diretamente ligados à rotina da população, como parques, avenidas e áreas de lazer.

Orelha morreu no início do mês após sofrer agressões na região da cabeça. De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as lesões foram tão graves que o animal precisou ser submetido à eutanásia durante o atendimento veterinário que tentava reverter seu quadro clínico.

A descrição do MPSC indica que a violência teria sido intensa a ponto de comprometer de forma irreversível a saúde do cão. A eutanásia, nesse contexto, foi adotada como medida para evitar ainda mais sofrimento, já que o quadro clínico não apresentava chances de recuperação.

A Polícia Civil tomou conhecimento do caso em 16 de janeiro. A partir daí, iniciou os procedimentos formais de investigação para apurar as circunstâncias das agressões e identificar os envolvidos.

Atualmente, quatro adolescentes são investigados por supostamente terem agredido o cão Orelha de forma violenta, com intenção de causar sua morte. Segundo as informações do caso, parte das agressões teria se concentrado na cabeça do animal, o que ajuda a explicar a gravidade das lesões identificadas pelos profissionais de saúde que prestaram atendimento.

Por se tratar de adolescentes, o caso segue o rito previsto na legislação que trata de atos infracionais cometidos por menores de idade. A investigação busca reunir provas e depoimentos que possam esclarecer como as agressões ocorreram, qual foi a participação de cada um dos suspeitos e em que contexto o episódio se deu.

Na última segunda-feira, 26, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. Ninguém foi preso durante a ação, que teve como foco a coleta de materiais e possíveis evidências ligadas ao caso.

Dois dos adolescentes investigados estavam nos Estados Unidos. Na quinta-feira, 29, ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Florianópolis, eles tiveram celulares e roupas apreendidos pela Polícia Civil. O objetivo é analisar os aparelhos e pertences em busca de elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.

A defesa dos suspeitos informou que o retorno dos jovens ao Brasil foi articulado com os policiais responsáveis pelo caso. Também confirmou que eles entregaram voluntariamente os telefones e outros pertences às autoridades em uma sala restrita do aeroporto. Os adolescentes foram intimados a prestar depoimento, etapa considerada importante para a reconstrução da dinâmica dos acontecimentos que levaram à morte de Orelha.