Daniela Amorim | 30 de janeiro de 2026 - 13h10

Confiança do comércio sobe 0,9% em janeiro e atinge maior nível desde 2025

Icec da CNC chega a 103 pontos, em zona de satisfação, com terceira alta seguida, mas ainda fica abaixo do nível de janeiro de 2025

ECONOMIA
Índice de Confiança do Empresário do Comércio chega a 103 pontos em janeiro, maior nível desde julho de 2025, segundo a CNC. - (Foto: PREFCG)

Os comerciantes brasileiros começaram 2026 um pouco mais otimistas. Dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) subiu 0,9% em janeiro, na comparação com dezembro, já descontados os efeitos sazonais. Foi a terceira alta seguida do indicador.

Com o resultado, o Icec chegou a 103,0 pontos, permanecendo na chamada “zona de satisfação”, acima da marca de 100 pontos. Esse é o maior nível de confiança desde julho de 2025. Mesmo assim, na comparação com janeiro do ano passado, o índice ainda registra queda de 3,8%.

O levantamento mostra melhora na percepção dos lojistas sobre o momento atual. O componente de avaliação das condições correntes avançou 1,9% entre dezembro e janeiro, com altas nos itens economia (4,3%), empresa (0,7%) e setor (1,7%).

As expectativas para os próximos meses também continuaram positivas, embora em ritmo mais moderado. O componente das expectativas cresceu 0,4% no período. Dentro dele, houve aumento na confiança em relação à economia (1,0%) e ao setor (0,4%), enquanto a avaliação sobre a própria empresa recuou levemente (-0,1%).

Já o componente que mede as intenções de investimento avançou 0,9% em janeiro, com elevações nos itens investimentos na empresa (0,6%), contratação de funcionários (1,8%) e estoques (0,1%).

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o cenário atual mistura sinais positivos com desafios. “O cenário de pleno emprego e a inflação menor do que o esperado são dois bons sinais da economia. No entanto, para que a população tenha poder de compra de bens duráveis e semiduráveis, ela precisa de acesso saudável ao crédito para desfrutar do parcelamento. Nestes setores do comércio, mesmo com a recente queda do dólar, dependemos de uma taxa Selic mais amena e de juros menos agressivos”, avaliou, em nota.

Segundo a CNC, a combinação de juros ainda elevados e crédito caro limita o avanço das vendas de itens de maior valor, mesmo em um ambiente de inflação mais controlada e mercado de trabalho aquecido. A entidade aponta que a sequência de altas no Icec indica melhora gradual da confiança, mas em um ritmo que ainda inspira cautela para 2026.