Confiança do comércio sobe 0,9% em janeiro e atinge maior nível desde 2025
Icec da CNC chega a 103 pontos, em zona de satisfação, com terceira alta seguida, mas ainda fica abaixo do nível de janeiro de 2025
ECONOMIAOs comerciantes brasileiros começaram 2026 um pouco mais otimistas. Dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) subiu 0,9% em janeiro, na comparação com dezembro, já descontados os efeitos sazonais. Foi a terceira alta seguida do indicador.
Com o resultado, o Icec chegou a 103,0 pontos, permanecendo na chamada “zona de satisfação”, acima da marca de 100 pontos. Esse é o maior nível de confiança desde julho de 2025. Mesmo assim, na comparação com janeiro do ano passado, o índice ainda registra queda de 3,8%.
O levantamento mostra melhora na percepção dos lojistas sobre o momento atual. O componente de avaliação das condições correntes avançou 1,9% entre dezembro e janeiro, com altas nos itens economia (4,3%), empresa (0,7%) e setor (1,7%).
As expectativas para os próximos meses também continuaram positivas, embora em ritmo mais moderado. O componente das expectativas cresceu 0,4% no período. Dentro dele, houve aumento na confiança em relação à economia (1,0%) e ao setor (0,4%), enquanto a avaliação sobre a própria empresa recuou levemente (-0,1%).
Já o componente que mede as intenções de investimento avançou 0,9% em janeiro, com elevações nos itens investimentos na empresa (0,6%), contratação de funcionários (1,8%) e estoques (0,1%).
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o cenário atual mistura sinais positivos com desafios. “O cenário de pleno emprego e a inflação menor do que o esperado são dois bons sinais da economia. No entanto, para que a população tenha poder de compra de bens duráveis e semiduráveis, ela precisa de acesso saudável ao crédito para desfrutar do parcelamento. Nestes setores do comércio, mesmo com a recente queda do dólar, dependemos de uma taxa Selic mais amena e de juros menos agressivos”, avaliou, em nota.
Segundo a CNC, a combinação de juros ainda elevados e crédito caro limita o avanço das vendas de itens de maior valor, mesmo em um ambiente de inflação mais controlada e mercado de trabalho aquecido. A entidade aponta que a sequência de altas no Icec indica melhora gradual da confiança, mas em um ritmo que ainda inspira cautela para 2026.