Correios reabrem Plano de Desligamento Voluntário com novas regras para tentar reforçar caixa
Plano amplia público elegível, mantém incentivos financeiros e integra reestruturação da estatal
SERVIÇO PÚBLICOOs Correios anunciaram a reabertura das inscrições para o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), medida que faz parte do Plano de Reestruturação da estatal e tem como foco aliviar a situação financeira da empresa. A nova etapa do programa ocorre após a direção admitir dificuldades de caixa e projetar um período prolongado de ajustes.
No fim de 2025, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a primeira fase do PDV tem como objetivo recuperar o caixa da empresa até março de 2026. Em comunicado interno enviado aos empregados, a estatal informou que o plano mantém o incentivo financeiro adotado em 2025, mas traz mudanças importantes.
Entre as novidades está a possibilidade de ex-empregados, empregados e seus dependentes aderirem ao Plano de Saúde Família, com mensalidades reduzidas e cobertura regional. Outra alteração relevante é a ampliação do público apto a participar: agora, profissionais de qualquer idade podem aderir, desde que não completem 75 anos até a data do desligamento.
Para participar do PDV, o empregado precisa ter, no mínimo, dez anos de efetivo exercício nos Correios e ter recebido remuneração por pelo menos 36 meses dentro dos últimos 60 meses. A adesão é individual e totalmente voluntária.
As inscrições serão abertas na próxima semana e seguem até o dia 31 de março. Já os desligamentos estão previstos para serem concluídos até o fim de maio.
Em nota aos funcionários, a empresa afirma que o PDV 2026 busca atender empregados que desejam encerrar o vínculo profissional e, ao mesmo tempo, reduzir despesas operacionais. A expectativa é de que o programa contribua para o reequilíbrio financeiro da estatal.
Prejuízos e reestruturação - A reabertura do PDV ocorre em meio a uma crise financeira prolongada. Entre janeiro e setembro, os Correios acumularam prejuízo superior a R$ 6 bilhões e registram déficits recorrentes desde 2022, que já ultrapassam R$ 10 bilhões.
Segundo Emmanoel Rondon, a projeção é de que o resultado da empresa ainda piore em 2026, antes de apresentar melhora a partir de 2027. No fim do ano passado, a estatal contratou R$ 12 bilhões em empréstimos junto a cinco bancos, com vencimento previsto para meados deste ano.
Os Correios estimam que o Plano de Reestruturação demanda cerca de R$ 20 bilhões, valor considerado necessário para viabilizar a recuperação financeira da empresa.