Cícero Cotrim e Marianna Gualter | 30 de janeiro de 2026 - 14h00

Dívida bruta do Brasil recua em dezembro e fecha ano em 78,7% do PIB

Banco Central aponta leve queda na proporção da dívida, enquanto dívida líquida atinge maior nível da série

CONTAS PÚBLICAS
Banco Central divulgou os dados da dívida pública referentes ao mês de dezembro. - (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) encerrou dezembro em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central nesta sexta-feira (30). O indicador apresentou leve recuo em relação a novembro, quando representava 79,0% da economia brasileira. Em valores nominais, a dívida avançou de R$ 9,991 trilhões para R$ 10,018 trilhões no período.

A redução na proporção em relação ao PIB ocorreu mesmo com o crescimento nominal do estoque da dívida, refletindo o desempenho da atividade econômica no fechamento do ano. A DBGG é composta pelas dívidas do governo federal, dos estados e dos municípios, sem incluir o Banco Central e as empresas estatais.

O maior patamar da série histórica foi registrado em dezembro de 2020, quando a dívida bruta atingiu 87,6% do PIB, em meio ao aumento expressivo de gastos públicos adotados para enfrentar os efeitos iniciais da pandemia de covid-19. Já o menor nível ocorreu em dezembro de 2013, com a DBGG equivalente a 51,5% do PIB.

Pela metodologia do Fundo Monetário Internacional (FMI), o cenário é distinto. Nesse conceito, a dívida bruta passou de 92,3% do PIB em novembro para 93,4% em dezembro. O Banco Central iniciou a divulgação desse indicador em 2025, ampliando as referências para análise das contas públicas brasileiras.

A DBGG é um dos principais parâmetros observados pelas agências internacionais de classificação de risco para avaliar a capacidade de solvência do país. Quanto maior o endividamento, maior a percepção de risco em relação ao cumprimento das obrigações financeiras do governo brasileiro.

Dívida líquida atinge recorde
Enquanto a dívida bruta apresentou recuo na proporção do PIB, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) seguiu trajetória oposta. O indicador, que considera as reservas internacionais do país, subiu de 65,2% do PIB em novembro para 65,3% em dezembro, o maior nível já registrado na série histórica do Banco Central.

Em valores absolutos, a dívida líquida alcançou R$ 8,311 trilhões. O avanço indica pressão adicional sobre as contas públicas e mantém o tema do equilíbrio fiscal no centro do debate econômico, especialmente diante das expectativas do mercado financeiro e das avaliações das agências de risco.