Pedro Lima | 30 de janeiro de 2026 - 14h10

Irã ameaça reação imediata a ataques em meio a nova escalada de tensão no Oriente Médio

Presidente Masoud Pezeshkian diz rejeitar a guerra, mas afirma que Teerã não hesitará diante de agressões

TENSÃO INTERNACIONAL
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, durante declaração sobre política externa e segurança regional. - (Foto: Reprodução)

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país responderá de forma “imediata e firme” a qualquer agressão contra seu território ou sua população. A declaração foi feita durante uma conversa telefônica com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, em meio ao aumento das tensões regionais e à deterioração das relações com potências ocidentais, especialmente os Estados Unidos.

Segundo comunicado divulgado na quinta-feira (29), Pezeshkian afirmou que o Irã “não acolhe de forma alguma a guerra”, mas deixou claro que não deixará ataques sem resposta. A fala ocorre em um cenário de instabilidade no Oriente Médio, marcado por disputas diplomáticas, sanções e risco crescente de confrontos indiretos.

Em nova manifestação, divulgada nesta sexta-feira (30) por meio de comunicado no Telegram, o presidente iraniano detalhou a linha adotada por Teerã na política externa. De acordo com Pezeshkian, o país segue o princípio da chamada “diplomacia digna”, baseada no diálogo, na interação entre nações e no respeito ao direito internacional. Ele ressaltou que o Irã rejeita o uso da força e de ameaças como forma de resolver conflitos.

Apesar do discurso voltado à negociação, o líder iraniano voltou a fazer um alerta direto. “Qualquer agressão ao país e à nação iraniana será respondida de maneira imediata e decisiva”, afirmou, reforçando a disposição do governo em reagir caso se sinta ameaçado.

O comunicado também cita a postura do presidente dos Emirados Árabes Unidos, que teria demonstrado interesse em contribuir de forma construtiva para iniciativas diplomáticas voltadas à segurança regional. A sinalização ocorre em um momento em que países do Oriente Médio buscam evitar um agravamento das tensões, diante do risco de instabilidade mais ampla.

As declarações de Pezeshkian ganham peso no contexto de novas pressões internacionais sobre Teerã. Na quinta-feira, a União Europeia decidiu incluir a Guarda Revolucionária do Irã na lista de organizações terroristas do bloco. A medida foi classificada por autoridades iranianas como simbólica, mas representa um passo adicional no isolamento político do país.

Para analistas, a decisão da UE tende a aumentar o nível de atrito diplomático e a elevar o risco de novos episódios de tensão, tanto no campo político quanto no de segurança. Nesse ambiente, o discurso do presidente iraniano busca sinalizar abertura ao diálogo, sem abrir mão de uma postura de resposta dura diante de eventuais ataques.