Agência Brasil | 30 de janeiro de 2026 - 08h10

Primeiro Censo da pós-graduação no Brasil fica aberto até 26 de fevereiro

Levantamento inédito da Capes vai mapear perfil de estudantes, docentes e pesquisadores para orientar políticas públicas

EDUCAÇÃO
Censo da Capes vai mapear perfil de estudantes, docentes e pesquisadores da pós-graduação no Brasil. - (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Está aberto até o dia 26 de fevereiro o Censo da Pós-Graduação stricto sensu referente ao ano de 2025. A iniciativa, conduzida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), marca a primeira coleta nacional de dados estatísticos sobre os programas de mestrado e doutorado no Brasil.

O objetivo do levantamento é traçar um retrato detalhado da pós-graduação brasileira, reunindo informações que permitam orientar políticas públicas alinhadas à realidade dos programas e das pessoas que integram esse nível de formação. A partir dos dados, a Capes pretende subsidiar ações voltadas à melhoria da qualidade, à redução de desigualdades e ao fortalecimento do sistema nacional de pós-graduação.

O preenchimento do censo é individual e obrigatório e deve ser feito exclusivamente pela Plataforma Sucupira. Devem responder aos questionários:

Segundo a Capes, os formulários foram elaborados de acordo com o perfil de cada público, com perguntas de múltipla escolha, acompanhadas de definições e orientações para garantir a correta interpretação das informações. Pró-reitores e coordenadores de PPGs devem acompanhar o processo e assegurar que todos os integrantes dos programas participem dentro do prazo estabelecido.

A divulgação dos resultados do primeiro censo está prevista para 16 de novembro de 2026, e o levantamento passará a ser realizado anualmente.

Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, destacou a importância do censo para a formulação de políticas públicas. Segundo ela, apesar da relevância da pós-graduação para o desenvolvimento científico e social do país, ainda faltam dados detalhados sobre quem compõe esse universo.

“Quem são os pós-graduandos? Quem são os docentes? Quantas mulheres, homens, pessoas negras, indígenas, em vulnerabilidade socioeconômica, em cada região do país? Não temos essas informações de forma estruturada”, afirmou.

Denise explicou que, enquanto há mais dados disponíveis sobre docentes — em sua maioria servidores públicos —, o perfil dos pós-graduandos ainda é pouco conhecido, o que torna o censo essencial para compreender desigualdades e desafios enfrentados pelos estudantes.

A presidente da Capes ressaltou que o censo dialoga com mudanças na metodologia de avaliação da pós-graduação. Segundo ela, a instituição tem se afastado de uma lógica exclusivamente quantitativa, baseada apenas no número de publicações, e adotado uma análise quali-quantitativa.

“Queremos saber qual é o impacto do conhecimento produzido: se mudou políticas públicas, tratamentos de saúde, processos ou produtos. A avaliação passa a considerar também a interação dos programas com a sociedade”, explicou.

Um dos eixos inéditos do questionário aborda a parentalidade. Para Denise Pires de Carvalho, esse dado é fundamental para a construção de políticas de equidade. Ela destacou que a maternidade e a paternidade impactam diretamente a produção acadêmica e a permanência nos cursos.

“O censo permite ajustar tempos de avaliação e permanência, tanto para docentes quanto para estudantes. Isso humaniza a pós-graduação e cria condições mais justas”, afirmou.

O levantamento também traz perguntas sobre raça, etnia, deficiência e ações afirmativas, em consonância com a revisão da Lei de Cotas. A Capes pretende usar os dados para avaliar se as políticas de inclusão previstas nos regulamentos dos programas estão, de fato, sendo efetivadas.

O censo também deve ajudar a identificar desigualdades regionais na distribuição de bolsas e programas. Segundo a presidente da Capes, os dados permitirão avaliar se a concentração histórica no eixo Sul-Sudeste precisa ser revista.

Outro ponto abordado é a saúde mental. Embora a evasão na pós-graduação seja baixa — entre 4% e 5%, segundo a Capes —, a instituição reconhece que o ambiente acadêmico pode ser estressante. A expectativa é que os dados ajudem a melhorar as condições de permanência sem comprometer a qualidade dos cursos.

Denise Pires de Carvalho destacou ainda a importância das bolsas de estudo para a permanência dos estudantes. “A bolsa sustenta o indivíduo na pós-graduação. Sem ela, muitos não conseguiriam continuar”, afirmou, ressaltando que ainda é incorreta a percepção de que todos os mestrandos e doutorandos são bolsistas.

Para a presidente da Capes, a formação de mestres e doutores segue sendo estratégica para o desenvolvimento do país, tanto no ambiente acadêmico quanto fora dele. Ela ressaltou a necessidade de ampliar a interação entre universidades e setor produtivo, reforçada por programas que permitem estágios em empresas e organizações da sociedade civil.

Até o momento, segundo a Capes, cerca de 70% do público estimado já respondeu ao questionário, e mais de 150 Programas de Pós-Graduação alcançaram 100% de adesão. A expectativa é concluir o processo até o prazo final para iniciar a análise dos dados e apresentar à sociedade um panorama inédito da pós-graduação brasileira.