Redação | 29 de janeiro de 2026 - 21h00

Homem morre após linchamento por crime que não cometeu no Paraná

Vítima foi agredida após ser apontada como suspeita de homicídio; autor do crime foi identificado depois

JUSTIÇA
Polícia investiga linchamento que resultou na morte de jovem em Ponta Grossa. - (Foto: Reprodução)

Um homem de 23 anos morreu em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, após ser vítima de um linchamento motivado por um crime que ele não cometeu. Deivison Andrade de Lima sofreu agressões no dia 18 de janeiro e morreu na segunda-feira, 26. As informações foram confirmadas pela Polícia Civil do Paraná.

Deivison foi atacado depois de ser apontado, de forma equivocada, como responsável pelo assassinato de Kelly Cristina Ferreira de Quadros, de 42 anos. A mulher foi encontrada morta em uma área de mata do município no dia 16 de janeiro, dois dias antes do linchamento.

Um dia após as agressões sofridas por Deivison, a Polícia Civil identificou o verdadeiro autor do homicídio de Kelly. Trata-se de um homem de 43 anos, flagrado por câmeras de segurança caminhando ao lado da vítima em direção ao local onde o corpo foi encontrado.

Inicialmente, o suspeito negou envolvimento no crime, mas acabou confessando o assassinato ao ser confrontado com as imagens. Ele indicou à polícia o local onde descartou roupas e pertences sujos de sangue, que agora passarão por perícia.

De acordo com a Polícia Civil, o homicídio de Kelly teria sido motivado por um desentendimento enquanto os dois consumiam drogas. A investigação aponta que o agressor utilizou uma pedra e um pedaço de madeira para cometer o crime.

O nome do suspeito não foi divulgado, o que impossibilitou o contato com a defesa.

Em relação a Deivison, a polícia confirmou que ele conhecia Kelly, mas destacou que não teve qualquer envolvimento com o assassinato. Mesmo assim, acabou sendo agredido por populares que o responsabilizaram de forma precipitada pelo crime.

A família de Deivison registrou boletim de ocorrência sobre o linchamento apenas no domingo, 25, dois dias antes da morte do jovem. Segundo a Polícia Civil do Paraná, diligências seguem em andamento para identificar e responsabilizar os autores das agressões.

O caso reacende o debate sobre justiça pelas próprias mãos e os riscos de acusações sem apuração, que podem resultar em tragédias irreversíveis.