MP e Polícia abrem nova investigação sobre cobranças a concessionários do São Paulo
Áudio atribuído a ex-diretor aponta taxas para empresas operarem no clube; inquérito está no início
ESCÂNDALO NO MORUMBISUm novo inquérito policial ampliou o cerco sobre a gestão do São Paulo Futebol Clube. A força-tarefa formada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil abriu uma terceira linha de investigação para apurar cobranças consideradas irregulares a empresas concessionárias que atuam dentro do clube.
O foco desta vez recai sobre um áudio atribuído ao ex-diretor social Antonio Donizete, o Dedé, no qual ele descreve valores cobrados para que empresas possam operar em áreas internas do São Paulo. Procurado, Dedé não respondeu aos questionamentos.
O que diz o áudio - Na gravação, à qual a reportagem teve acesso, Dedé afirma que a taxa inicial para uma empresa “entrar no clube” variaria entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. Em seguida, menciona a cobrança de até 20% do faturamento bruto das concessionárias.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores é a fala sobre os pagamentos: segundo o áudio, as máquinas de cartão seriam do próprio São Paulo, com os valores indo diretamente para o clube. “As maquininhas são nossas”, diz a gravação.
As cobranças citadas envolveriam, principalmente, empresas instaladas na Praça de Alimentação Julio Casares, além de concessões ligadas à quadra de futevôlei.
O novo inquérito está em fase inicial. Há relatos de que máquinas de cartão foram retiradas dos pontos de venda das concessionárias nos últimos dias, o que também entrou no radar da apuração policial.
Essa é a terceira investigação envolvendo o São Paulo aberta pela força-tarefa:
A primeira, instaurada em outubro, apura movimentações financeiras suspeitas, incluindo saques em contas do clube durante a gestão do ex-presidente Júlio Casares.
A segunda investiga o uso irregular de espaços internos, como o camarote 3A do MorumBis, também a partir de áudios vazados.
As investigações avançaram em meio a uma mudança no comando do clube. Após assumir definitivamente a presidência, Harry Massis Júnior determinou a saída do CEO Márcio Carlomagno, considerado braço direito de Júlio Casares.
Dedé também deixou o cargo de diretor social. Internamente, a versão é de demissão, mas ele divulgou nota afirmando que a saída foi uma renúncia por autopreservação.
O caso do camarote foi um dos principais fatores que embasaram o pedido de impeachment de Júlio Casares, aprovado pelo Conselho Deliberativo. O processo não avançou para assembleia porque o dirigente optou por renunciar ao cargo.
Além das investigações oficiais, o São Paulo contratou empresas especializadas em compliance para realizar apurações internas independentes. A iniciativa ocorreu após críticas à forma como a antiga gestão lidou com as denúncias.