Mateus Maia | 29 de janeiro de 2026 - 14h40

Confiança da indústria cresce em nove setores, mas pessimismo ainda domina o mercado

Levantamento da CNI aponta que juros altos e concorrência com produtos importados travam recuperação do setor produtivo em 2026

INDÚSTRIA NACIONAL
Juros elevados e concorrência com importados são os principais obstáculos para a confiança do empresário industrial em 2026. - Governo do Espírito Santo/Divulgação

A indústria brasileira iniciou o ano com sinais discretos de melhora, mas ainda sob um manto de cautela. Segundo dados do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (29), o número de segmentos considerados otimistas subiu de sete para nove em janeiro. Apesar do avanço, o cenário geral permanece desafiador: 20 setores industriais ainda operam em patamar de pessimismo.

O que trava o otimismo O diferencial desta leitura setorial é que ela mantém a tendência de baixa confiança observada ao longo de todo o ano de 2025. De acordo com Larissa Nocko, especialista da CNI, três fatores principais explicam essa "trava" no ânimo dos empresários: a desaceleração da economia, o impacto dos juros elevados e a forte entrada de produtos importados, que têm absorvido uma fatia considerável da demanda interna por bens fabricados no Brasil.

Quem está em alta e quem está em baixa O índice utiliza uma escala de 0 a 100 pontos, sendo que valores abaixo de 50 indicam falta de confiança. Entre os setores que conseguiram superar essa barreira e demonstram otimismo, destacam-se:

Impressão e reprodução: 53,4 pontos;

Perfumaria, limpeza e higiene pessoal: 52,6 pontos;

Farmoquímicos e farmacêuticos: 52,4 pontos.

No extremo oposto, o setor de Metalurgia aparece como o mais pessimista, registrando apenas 43,7 pontos, seguido de perto pelos segmentos de couros, celulose e vestuário.

Porte das empresas A pesquisa ouviu 1.642 empresas na primeira quinzena de janeiro de 2026. O pessimismo é mais acentuado entre as pequenas indústrias, que mantêm o índice em 47,9 pontos. As médias (49 pontos) e grandes empresas (49,5 pontos) chegaram a registrar leves altas, mas ainda não atingiram o patamar de 50 pontos necessário para serem consideradas "confiantes".