João Pedro Bitencourt | 29 de janeiro de 2026 - 11h00

CPMI do INSS convoca donos do Banco Master e do BMG para depor em fevereiro

Comissão apura fraudes bilionárias e tenta garantir depoimento de empresário apontado como articulador do esquema

CPMI DO INSS
CPMI do INSS investiga fraudes bilionárias e convoca executivos do setor bancário para depor. - (Foto: Carlos Moura/Agência Senado )

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou nesta quarta-feira (28) que os banqueiros Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Luis Félix Cardamone Neto, diretor-presidente do Banco BMG, foram convocados para prestar depoimento à comissão na próxima quinta-feira, 5 de fevereiro.

Daniel Vorcaro é investigado por crimes contra o sistema financeiro. Em novembro do ano passado, ele chegou a receber voz de prisão ao tentar deixar o País durante o andamento das investigações, mas foi liberado dez dias depois. O banqueiro é acusado de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, relacionada à venda de créditos considerados falsos ao Banco Regional de Brasília (BRB).

Já Luis Félix Cardamone Neto também havia sido chamado anteriormente à CPMI. A escolha dos executivos, segundo a comissão, levou em conta o elevado número de reclamações registradas contra as instituições financeiras na plataforma Consumidor.gov.br e junto à Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça.

Em publicação nas redes sociais, Carlos Viana afirmou ainda que a CPMI atua para reverter uma decisão judicial que garante, de forma provisória, ao empresário Maurício Camisotti o direito de não comparecer ao colegiado. De acordo com o senador, a comissão seguirá adotando todas as medidas legais disponíveis para assegurar o esclarecimento dos fatos investigados.

A Polícia Federal solicitou, em outubro, que um eventual depoimento de Camisotti ocorra de forma reservada. O empresário está preso na Superintendência da PF em São Paulo, e a CPMI busca ouvi-lo por considerá-lo peça central no esquema investigado.

Em 15 de setembro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu a Camisotti o direito de decidir se comparece ou não à comissão, além da possibilidade de permanecer em silêncio durante eventual oitiva, com base no princípio constitucional da não autoincriminação. Carlos Viana já havia pedido ao ministro a revisão dessa decisão.

Segundo informações reunidas pela CPMI, Maurício Camisotti é apontado como um dos principais articuladores da fraude envolvendo o INSS. As investigações indicam que ele controlava ao menos três entidades que, desde 2021, teriam faturado mais de R$ 1 bilhão por meio de descontos realizados sem autorização de beneficiários do instituto.

A comissão segue ouvindo autoridades, empresários e representantes do setor financeiro para apurar responsabilidades e o funcionamento do esquema que teria causado prejuízos a aposentados e pensionistas em todo o País.