Maria Edite Vendas | 29 de janeiro de 2026 - 07h50

Polícia Científica orienta como preservar locais de ocorrência e evitar perda de provas

Condutas simples após o socorro às vítimas ajudam a garantir exames periciais mais precisos

SEGURANÇA
Além da atuação técnica, a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul investe em ações educativas para orientar a população sobre a importância da preservação dos locais de crime - (Foto: Comunicação PCi-MS)

Após o atendimento às vítimas, a preservação do local de uma ocorrência passa a ser um fator decisivo para o esclarecimento dos fatos. Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Científica alerta que atitudes adotadas logo após situações de emergência podem interferir diretamente na produção de provas e comprometer análises técnicas fundamentais para investigações criminais.

A orientação é clara: salvar vidas vem sempre em primeiro lugar. Acionar o socorro e garantir a segurança das pessoas envolvidas são medidas indispensáveis. Superada essa etapa inicial, preservar o cenário onde o fato ocorreu torna-se essencial para que o trabalho pericial seja realizado de forma segura e eficiente.

Concluído o atendimento, a perícia técnica atua na identificação e análise de vestígios deixados no local. Entre eles estão manchas de sangue, fluidos corporais, marcas no solo, posição de objetos, fragmentos, sinais no ambiente e registros digitais. Qualquer alteração indevida nesse cenário pode comprometer a leitura técnica e dificultar a reconstrução do ocorrido.

Participação da Polícia Científica de MS em Simulado de Acidente com Múltiplas Vítimas . (Foto: Comunicação PCi-MS) 

De acordo com a Polícia Científica, grande parte das interferências acontece sem intenção. Circular pela área, tocar em objetos, recolher pertences pessoais, movimentar veículos ou registrar imagens para divulgação imediata são atitudes comuns que, mesmo motivadas pela tentativa de ajudar, acabam prejudicando o trabalho pericial.

No ambiente digital, os cuidados também são necessários. Celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos podem conter informações relevantes para a apuração dos fatos. A recomendação é que esses equipamentos sejam preservados sem manuseio indevido, garantindo que os exames periciais possam ser realizados de forma adequada.

Ao longo de 2025, a Polícia Científica realizou 95.274 exames periciais e atendeu os 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Os trabalhos envolveram as áreas de Criminalística, Medicina Legal, Análises Laboratoriais Forenses e Identificação, cobrindo desde ocorrências simples até casos de maior complexidade.

Além da atuação técnica, a instituição também investe em ações educativas. Somente neste ano, foram realizadas mais de 100 palestras, participações em feiras e atividades formativas em escolas e universidades, conduzidas por servidores de diferentes áreas da Polícia Científica.

Essas iniciativas têm como foco orientar a população sobre a importância da preservação de vestígios e reduzir interferências em locais de ocorrência. O trabalho segue protocolos rigorosos, como a cadeia de custódia, que assegura a integridade das evidências coletadas e oferece maior segurança às decisões judiciais.

A Polícia Científica reforça que a colaboração da população é fundamental. Respeitar o isolamento do local e seguir as orientações das autoridades contribui diretamente para o esclarecimento dos fatos, para o andamento da Justiça e para as famílias que aguardam respostas.