Pedido de extradição de Alexandre Ramagem já foi enviado aos EUA, diz Ministério da Justiça
Ex-diretor da Abin fugiu para os Estados Unidos após ser condenado a mais de 16 anos de prisão
POLÍTICAO Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (28), que o pedido de extradição do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) já foi oficialmente entregue ao governo dos Estados Unidos. Segundo a pasta, a documentação foi encaminhada às autoridades norte-americanas no dia 30 de dezembro do ano passado, sem prazo definido para análise do requerimento. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem foi condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por envolvimento na tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022. Após a condenação, ele deixou o Brasil e se mudou para os Estados Unidos em setembro.
Em novembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decretou a prisão preventiva do ex-parlamentar. No mês seguinte, Moraes determinou que a Secretaria Judiciária da Corte enviasse ao MJSP toda a documentação necessária para a formalização do pedido de extradição. Uma semana depois, o ministério comunicou que havia solicitado ao Ministério das Relações Exteriores o encaminhamento do processo às autoridades norte-americanas, o que, segundo o governo brasileiro, foi concluído no fim de dezembro.
Alexandre Ramagem teve o mandato cassado em 18 de dezembro. Na mesma sessão, a Câmara dos Deputados também declarou a perda do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Após a decisão, Ramagem usou as redes sociais para criticar a cassação, classificando o ato como uma “canetada”. Ele acusou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de agir como “subordinado de um ministro ditador”, em referência ao ministro Alexandre de Moraes.
Em resposta, Hugo Motta afirmou que a decisão foi tomada em consenso entre os líderes partidários da Casa com o objetivo de evitar um “novo episódio de conflito e de estresse institucional”.