Campo Grande prevê 170 mil foliões e reforça segurança para o Carnaval 2026
Esplanada Ferroviária e Praça do Papa terão esquema integrado de segurança e estrutura ampliada para receber os festejos
CAPITALCom expectativa de reunir mais de 170 mil foliões nas ruas e com esquema reforçado de segurança, o Carnaval de 2026 em Campo Grande foi tema de uma reunião, na manhã desta quarta-feira (28), entre autoridades estaduais e municipais, representantes dos blocos de carnaval de rua e forças de segurança.
Mais do que uma manifestação cultural, a festa também movimenta a economia, impulsiona o turismo e gera milhares de empregos. Neste ano, com foco em oferecer uma experiência melhor ao público campo-grandense, o Governo do Estado, em cooperação com a prefeitura, vai investir aproximadamente R$ 2,4 milhões no evento.
Segundo o secretário de Estado Marcelo Miranda, a expectativa é de que o retorno econômico supere 100%.
“Temos a expectativa de uma movimentação econômica em torno de R$ 25 milhões, um volume que pode ser estimado com bastante clareza. Desse total, cerca de R$ 1,1 milhão vem do Governo do Estado, destinado à Liga das Escolas de Samba, além dos recursos de emendas parlamentares repassados diretamente aos blocos. Esse valor considera os impactos diretos na economia, incluindo turismo, rede hoteleira e aumento no varejo, sem contabilizar ainda a movimentação gerada por ambulantes e comércios de conveniência”, conta.
A colaboração entre a Guarda Civil Municipal, Polícia Militar e o Batalhão de Choque garante que todas as noites de folia tenham segurança. Com 180 policiais militares apenas na Esplanada, além da presença de drones e helicópteros, as limitações de itens seguem iguais às dos outros anos, com proibição de garrafas de vidro e qualquer outro objeto que possa se tornar danoso.
E não é só no percurso dos blocos de rua que a segurança está em pauta. Policiais serão destinados à Praça do Papa e à Praça Aquidauana para que todos consigam curtir o carnaval com tranquilidade e segurança.
Neste ano, a Defensoria Pública também vai disponibilizar um QR Code para facilitar denúncias de assédio e outras violações de direitos. A ferramenta permitirá que a pessoa peça ajuda, faça questionamentos, relate situações vividas e receba orientações sobre como agir, a quem recorrer e quais caminhos seguir. A iniciativa também será utilizada para divulgar o número do plantão da instituição, que funciona de forma contínua, inclusive fora do horário de expediente.
A atuação integrada de diferentes órgãos públicos tem contribuído para a redução do número de ocorrências de assédio durante os blocos, com impacto direto na segurança dos eventos. O presidente do Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua de Campo Grande (ABC), Thallyson Perez, avalia que os índices de violência são hoje praticamente inexistentes dentro do Carnaval da Esplanada, maior festividade cultural do município, que reúne, em média, cerca de 100 mil pessoas.
“No ano passado, foram registradas apenas duas ocorrências, resolvidas dentro do próprio bloco, sem necessidade de encaminhamento à delegacia. O carnaval já conta com o apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, que atuam na segurança dos eventos, e também estão sendo realizadas campanhas, principalmente em parceria com a deputada Camila Jara, com a adoção do protocolo ‘não é não’”, ressalta.
União das escolas e das ruas para um carnaval completo – O clima festivo chega a Campo Grande em todos os pontos da cidade, com uma programação completa com mostra de fantasias, noite de desfiles, apuração e premiação, e as escolas de samba ganham um lugar de destaque no itinerário carnavalesco.
O clima de carnaval se espalha por Campo Grande com uma programação que ocupa diferentes pontos da cidade. A agenda inclui mostra de fantasias, noites de desfile, apuração e premiação, colocando as escolas de samba em posição central no roteiro da festa, ao lado dos blocos de rua.
Segundo o secretário de Estado, a estrutura da Praça do Papa será ampliada neste ano em função do sucesso da edição passada, mas a capacidade do espaço permanece limitada pelas arquibancadas, com previsão de receber até 20 mil pessoas por noite.
“As apresentações começam rigorosamente no horário, por isso é importante que a população chegue cedo, especialmente quem pretende acompanhar os desfiles com a família, para garantir espaço na Praça do Papa”, ressalta.
Ele destacou ainda que, nos blocos de rua, a capacidade de público é significativamente maior. “Já no desfile das escolas de samba, por conta da limitação das arquibancadas, a expectativa é de cerca de 20 mil pessoas por noite, o que torna essencial que o público se programe e chegue com antecedência para assistir às apresentações com tranquilidade.”
Uma das novidades deste ano é a possibilidade de apreciar a cultura regional de casa. Pela primeira vez, os desfiles das escolas de samba serão transmitidos de forma simultânea pela Emissora Educativa, no canal 4.
Para quem se interessou, a programação começará na primeira semana de fevereiro, com a retomada da mostra de fantasias carnavalescas, marcada para o dia 6, no popular Bar do Zé, na região central.
Para organizadores como Ângela Montealvão, coordenadora do Fórum Estadual de Cultura de Mato Grosso do Sul, o carnaval deve ser tido como momento de troca entre os foliões e os moradores dos bairros onde se localizam os principais circuitos carnavalescos.
“Nós temos sim que pensar em questões técnicas e estruturais de organização para os espaços que abrigam o carnaval, porque eles estão saturados. Acaba que eles já não comportam mais esse grande público. Então, é importante que esses movimentos se adaptem para que não tragam prejuízos à população. O carnaval deve acontecer em harmonia com o local”, afirma.