Redação | 28 de janeiro de 2026 - 15h15

Caso Orelha: Defesa de adolescentes contesta vídeos e pede cautela na web

Advogados afirmam que dois dos quatro jovens investigados não aparecem nas imagens que circulam nas redes e lembram que o ECA proíbe expor menores

REPERCUSSÃO
Caso da morte do cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, segue sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de Santa Catarina - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

A defesa de dois dos quatro adolescentes investigados pela morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis (SC), divulgou nota pedindo cautela no compartilhamento de vídeos e informações sobre o caso. Os advogados afirmam que os jovens que representam não aparecem nas imagens que circulam nas redes sociais e dizem que a exposição de menores de idade viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Segundo os defensores, a repercussão do caso tem levado a um “linchamento virtual” dos adolescentes e de suas famílias. Eles também reforçam que, de acordo com a própria Polícia Civil, não há registro em vídeo do momento exato em que o cachorro teria sido agredido.

Na nota, os advogados citam declaração da delegada responsável pelo inquérito, Mardjoli Valcareggi, de que nunca existiu um vídeo mostrando a cena de maus-tratos, o que contraria rumores de que as imagens teriam sido apagadas para atrapalhar as investigações.

Ainda conforme a defesa, os dois adolescentes não aparecem em um vídeo em que rapazes são vistos na Praia Brava e que vem sendo apontado, nas redes, como prova da participação do grupo no crime. De acordo com as investigações, o cão Orelha teria sido agredido por um grupo de adolescentes, o que levou à sua morte.

O caso é apurado pela Polícia Civil de Santa Catarina e acompanhado pelo Ministério Público do Estado, por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, e da 32ª Promotoria de Justiça, da área do Meio Ambiente.

A Polícia Civil informou que identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de agredir o animal com violência, com intenção de causar a morte. Na segunda-feira, 26, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos investigados. Ninguém foi detido, mas celulares e notebooks foram recolhidos para análise.

Para os advogados, é necessário que o caso siga o rito formal previsto em lei, com avaliação das provas pelas autoridades competentes e responsabilização de quem for considerado culpado ao final do processo.

“Em nome das famílias que enfrentam um verdadeiro linchamento virtual pela escalada do episódio, pedimos cautela e responsabilidade no compartilhamento de imagens e textos que não são condizentes com a realidade dos fatos”, diz a nota. A defesa afirma ainda que os representados estão colaborando com as autoridades para que o caso seja esclarecido.