Caso Orelha: Defesa de adolescentes contesta vídeos e pede cautela na web
Advogados afirmam que dois dos quatro jovens investigados não aparecem nas imagens que circulam nas redes e lembram que o ECA proíbe expor menores
REPERCUSSÃOA defesa de dois dos quatro adolescentes investigados pela morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis (SC), divulgou nota pedindo cautela no compartilhamento de vídeos e informações sobre o caso. Os advogados afirmam que os jovens que representam não aparecem nas imagens que circulam nas redes sociais e dizem que a exposição de menores de idade viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Segundo os defensores, a repercussão do caso tem levado a um “linchamento virtual” dos adolescentes e de suas famílias. Eles também reforçam que, de acordo com a própria Polícia Civil, não há registro em vídeo do momento exato em que o cachorro teria sido agredido.
Na nota, os advogados citam declaração da delegada responsável pelo inquérito, Mardjoli Valcareggi, de que nunca existiu um vídeo mostrando a cena de maus-tratos, o que contraria rumores de que as imagens teriam sido apagadas para atrapalhar as investigações.
Ainda conforme a defesa, os dois adolescentes não aparecem em um vídeo em que rapazes são vistos na Praia Brava e que vem sendo apontado, nas redes, como prova da participação do grupo no crime. De acordo com as investigações, o cão Orelha teria sido agredido por um grupo de adolescentes, o que levou à sua morte.
O caso é apurado pela Polícia Civil de Santa Catarina e acompanhado pelo Ministério Público do Estado, por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, e da 32ª Promotoria de Justiça, da área do Meio Ambiente.
A Polícia Civil informou que identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de agredir o animal com violência, com intenção de causar a morte. Na segunda-feira, 26, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos investigados. Ninguém foi detido, mas celulares e notebooks foram recolhidos para análise.
Para os advogados, é necessário que o caso siga o rito formal previsto em lei, com avaliação das provas pelas autoridades competentes e responsabilização de quem for considerado culpado ao final do processo.
“Em nome das famílias que enfrentam um verdadeiro linchamento virtual pela escalada do episódio, pedimos cautela e responsabilidade no compartilhamento de imagens e textos que não são condizentes com a realidade dos fatos”, diz a nota. A defesa afirma ainda que os representados estão colaborando com as autoridades para que o caso seja esclarecido.