À frente do Insted, Neca Chaves Bumlai consolida educação prática, empreendedora e acolhedora
Em um cenário em que faculdades privadas concentram quase 80% das matrículas, a diretora aposta em prática, hub de inovação e formação cidadã em Campo Grande
EDUCAÇÃOQuando mais de 2,5 mil instituições de ensino superior disputam a atenção dos estudantes brasileiros, sendo quase 88% delas privadas, o papel de faculdades como a Insted ganha peso extra. Hoje, quase 80% das matrículas no ensino superior estão na rede privada, que também responde por perto de 90% dos novos ingressantes.
Em um ambiente em que a expansão é rápida, mas a qualidade ainda preocupa, especialmente após a divulgação dos resultados do Enamed, o exame nacional que expôs deficiências graves na formação em Medicina em parte dos cursos do país, a Faculdade Insted tenta construir um caminho diferente, combinando infraestrutura robusta, prática desde o 1º semestre, estímulo ao empreendedorismo e atenção às pautas sociais, com destaque para o protagonismo feminino.
Quem defende essa visão é a diretora da instituição, Neca Chaves Bumlai, que em entrevista ao jornal A Crítica, considerou 2025 como um divisor de águas, ao mesmo tempo em que projeta 2026 como um período de consolidação e novos desafios.
Infraestrutura e confiança da comunidade - Ao fazer um balanço do último ano, Neca destaca que o ano de 2025 marcou a virada de chave da Insted.
“Foi um ano de muitas realizações. Esse prédio de 8.500 metros quadrados já era construído. Tem mais de 50 salas de aula, três auditórios, o espaço que é o nosso Insted Hub, que é a nossa menina dos olhos, porque realmente ali a gente vai oportunizar que os alunos desenvolvam as suas ideias, as suas startups e que possam realmente gerar muitos negócios aqui no Insted Hub. O nosso rooftop também, que é um espaço em que os alunos adoram ficar”, descreve.
O movimento de qualificação da infraestrutura acompanha uma tendência nacional: o Censo da Educação Superior 2023 mostra que o número total de matrículas cresceu 5,6% em relação a 2022, com alta de 7,3% na rede privada, que hoje concentra 79,3% dos estudantes do país.
Em Campo Grande, faculdades privadas ajudam a sustentar esse crescimento e já aparecem em rankings que listam as melhores instituições locais, entre elas a própria Insted.
Se a infraestrutura coloca a faculdade em outro patamar, é na metodologia que a direção aposta para se diferenciar. Para Neca, pouco adianta um prédio moderno se o aluno não é desafiado a empreender, resolver problemas reais e dialogar com o mercado. “Trabalhamos muito essa questão do empreendedorismo, incentivando os nossos estudantes. Temos vários projetos, por exemplo, o projeto Gestão Mais”, explica.
Nesse projeto, a faculdade fez parceria com a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG). Desde os primeiros semestres, os alunos de cursos como Administração vivenciam a realidade de micro e pequenas empresas locais.
“Desde os primeiros semestres, eles estão dentro das empresas. E, no final do ano, tem apresentação: reunimos o empresário com os nossos estudantes e eles apresentam várias soluções para essas empresas. Então, é uma consultoria para essas empresas, dada pelos nossos estudantes, e são microempresas, então essas empresas não teriam condição de contratar uma consultoria. E, ao mesmo tempo, os nossos estudantes estão ali na prática desde o primeiro semestre”, detalha Neca.
Esse tipo de experiência aparece em linha com o cenário brasileiro. Relatórios recentes sobre o empreendedorismo no Brasil, como o GEM 2023 em parceria com o Sebrae, mostram que o País tem uma das maiores taxas de empreendedorismo inicial do mundo, com cerca de um terço da população adulta envolvida em algum tipo de iniciativa empreendedora.
Na prática, isso significa que muitos dos estudantes que entram na faculdade não querem apenas “um emprego”, mas a chance de criar o próprio negócio, assumir uma empresa da família ou liderar projetos inovadores dentro de organizações já estabelecidas.
O viés empreendedor aparece também em ações que misturam ensino, serviço à comunidade e vivência profissional. Um exemplo é o Núcleo de Apoio Fiscal da instituição. “Nós temos vários serviços na instituição, inclusive o nosso Núcleo de Apoio Fiscal. Os nossos estudantes de Ciências Contábeis fazem abertura de MEI, Imposto de Renda e tudo aquilo que uma empresa precisa para ela ser aberta”, conta.
Em uma cidade em que grande parte dos negócios são micro e pequenas empresas, atendimento gratuito para abrir MEI, organizar tributos e formalizar atividades pode ser a diferença entre permanecer na informalidade ou crescer de forma estruturada. O Insted Hub, espaço de inovação citado por Neca como “menina dos olhos”, reforça essa proposta.
“Fizemos vários eventos no nosso Insted Hub, que é esse espaço para a gente poder comunicar, conectar o mercado de trabalho, os empresários, as empresas com os nossos estudantes. Tivemos vários podcasts, eventos, encontros com empresários aqui na nossa instituição. Algo que a gente considera extremamente relevante, que é esse contato”, afirma.
Essa lógica de hubs de inovação e incubadoras vem se espalhando por universidades públicas e privadas em todo o País, como mostram iniciativas similares em instituições de referência, inclusive em Campo Grande, onde ambientes de empreendedorismo têm sido criados para apoiar startups e negócios inovadores.
Legado familiar e gestão com portas abertas - Por trás da diretora que fala de inovação, há uma história de berço educacional. Filha de professores, Reni Domingos e Pedro Chaves, Neca cresceu acompanhando de perto o cotidiano escolar.
“Foi muito importante. Primeiro pelo exemplo que eles me dão na educação. Sempre foram professores, coordenadores, contato com os estudantes, esse acolhimento, essa forma com que eles sempre trataram os estudantes”, relembra. A mãe, segundo ela, tinha um modo muito próprio de se relacionar com os alunos e famílias. “Minha mãe na Mace sempre trabalhava de portas abertas. Tanto o pai do aluno quanto o aluno tinham livre acesso aos meus pais", recorda.
Já o professor Pedro Chaves é lembrado até hoje pela proximidade com os estudantes na Uniderp. “Quem estudou na Uniderp sabe que meu pai parava o carro, vinha ali pelo redondo até chegar na sala dele, sempre conversando e com esse atendimento personalizado a cada estudante”, diz.
Esse modelo mais humano de gestão foi transportado para o dia a dia da Insted. “Isso também eu trago para a Faculdade Insted. Eu recebo os alunos lá na porta; minha sala fica em um lugar estratégico, junto ao pátio dos estudantes, próxima à sala dos professores, para que a gente esteja sempre junto com eles”, detalha.
Em um cenário em que o ensino superior cresce fortemente via Educação a Distância, só em 2023, mais de 77% das vagas ofertadas foram em cursos EAD, a defesa de um modelo que valorize o contato, o acolhimento e a prática presencial ganha um significado particular.
Além da função de diretora, Neca atua como presidente estadual do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), ligado a uma rede nacional presente em mais de mil municípios. “Trabalhamos muito nesse conselho. O CMEC é um conselho nacional que está presente em mais de mil municípios. Com o nosso conselho, queremos inspirar outras mulheres. Fazemos muitos eventos em que as pessoas vão e contam suas histórias de vida. Então, a mulher vê que é possível, sim, empreender e chegar lá”, explica.
Os dados mais recentes reforçam a importância dessa atuação. Estudos sobre empreendedorismo feminino indicam que as mulheres já respondem por 54,6% do chamado “empreendedorismo potencial”, pessoas que têm intenção de abrir um negócio nos próximos anos. Ao mesmo tempo, elas ainda enfrentam jornada dupla, ou tripla, e maiores barreiras de credibilidade.
“Sabemos que a mulher abraça muitas tarefas. É cuidado com os idosos, cuidado com os filhos. A mulher tem realmente que se desdobrar para poder dar conta de tantas atividades”, diz Neca.
Na Insted, essa agenda se traduz em ações concretas, como a participação em eventos de empreendedorismo feminino, entre eles o 'Delas Day', do qual a instituição foi co-realizadora, e a oferta de uma pós-graduação voltada especificamente para essa pauta.
“E nós trabalhamos também uma pós-graduação de Direitos Humanos das Mulheres e Políticas Públicas, que é justamente para capacitar as mulheres que estão na linha de frente, atuando na violência contra a mulher, para que possam estar mais bem preparadas para fazer esses atendimentos”, afirma.
Segundo Neca, não basta conhecimento técnico; é preciso desenvolver habilidades socioemocionais: “Trabalhamos essas habilidades socioemocionais muito fortemente, porque quem atua, quem faz esses atendimentos às mulheres tem que ter essas habilidades bem desenvolvidas. Por isso é importante a questão do acolhimento e da escuta”, explica.
Administração NEXT e conexão com as melhores práticas - O carro-chefe das novidades para 2026 é o curso Administração NEXT, uma graduação em período matutino desenhada para quem deseja liderar negócios e empreender.
“Reunimos os professores que têm muita experiência de mercado e muita proximidade com as empresas”, explica Neca. Entre os docentes, ela cita nomes ligados à tecnologia, inovação e gestão pública e privada: “O Kenneth Correa, que é bem conhecido nessa área de tecnologia e inteligência artificial, é nosso professor do curso. O secretário de Estado Adjunto de Meio Ambiente, Artur Falcetti, também é nosso professor, além do presidente do LIDE, Aurélio Rocha. Um grupo grande de professores que têm muito a somar na bagagem dos nossos estudantes”, revela.
Aberto a matrículas, o curso começa em 2026 e tem como diferencial a forte conexão com empresas locais e nacionais, com visitas técnicas e contato direto com líderes e empreendedores. “E um grande diferencial também vai ser a visita dos nossos estudantes às empresas, para aquele aluno que quer empreender, que tem esse perfil empreendedor e que quer ser o protagonista da própria história”, detalha.
A proposta mira também um movimento já comum em Campo Grande, em que estudantes deixam a cidade em busca de instituições como Mackenzie, FGV e Insper, em São Paulo. “Quantos estudantes saem daqui para outras faculdades de Administração? Queremos trazer um pouco de tudo isso para quem não quiser ir para fora, e temos essa alternativa nova em Campo Grande”, diz.
Para 2026, além do curso Administração NEXT, a Insted prepara uma série de cursos de curta duração em temas quentes da agenda econômica e social brasileira, como inteligência artificial, reforma tributária e diferentes áreas da saúde.
“Em 2026, teremos várias novidades, cursos também de curta duração, inteligência artificial, reforma tributária e vários outros cursos na área da saúde. Nunca podemos parar de estudar. Os estudos salvam vidas e estamos aqui para somar na trajetória de cada estudante”, conclui.
A Faculdade Insted está localizada na Av. Fernando Corrêa da Costa, 845 - Centro, Campo Grande. Mais informações pelo site insted.edu.br.