Isadora Duarte | 28 de janeiro de 2026 - 13h55

Alckmin trata com vice-presidente da China sobre salvaguardas à carne bovina brasileira

Em conversa telefônica, presidente em exercício manifestou preocupação com cotas e tarifas impostas por Pequim

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Geraldo Alckmin, presidente em exercício, tratou por telefone com o vice-presidente da China sobre comércio bilateral. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, conversou por telefone, na manhã desta quarta-feira (28), com o vice-presidente da China, Han Zheng. Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, a conversa durou cerca de 30 minutos e abordou temas considerados estratégicos da agenda bilateral entre os dois países.

De acordo com o Planalto, as autoridades destacaram o bom momento das relações sino-brasileiras e discutiram assuntos de interesse comum. Um dos principais pontos da conversa foi a aplicação de medidas de salvaguarda pela China sobre a importação de carne bovina, incluindo a proteína produzida no Brasil.

Durante o telefonema, Alckmin demonstrou preocupação com as salvaguardas adotadas pelo governo chinês e ressaltou a relevância do setor pecuarista para a economia brasileira. Segundo a nota oficial, o presidente em exercício enfatizou ao vice-presidente chinês a importância do tema para o governo do Brasil.

Conforme noticiado pelo Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a ligação integra a estratégia do governo brasileiro de elevar o diálogo com a China ao mais alto nível, com o objetivo de negociar possíveis flexibilizações nas medidas impostas sobre a carne bovina.

O pleito brasileiro é para que sejam avaliados ajustes operacionais na forma de cumprimento e contabilização da cota estabelecida no âmbito da salvaguarda chinesa. A solicitação do governo brasileiro, baseada em demandas dos exportadores, ocorre após o anúncio de que a China passará a impor cotas específicas por país, com aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem os limites estabelecidos.

A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom) em 31 de dezembro e entrou em vigor no dia 1º de janeiro. As medidas terão validade de três anos, até 31 de dezembro de 2028, e atingem os principais exportadores de carne bovina ao mercado chinês.

O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha para a China, terá neste ano uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais. O volume é cerca de 600 mil toneladas inferior às 1,7 milhão de toneladas exportadas ao país asiático no ano anterior.

Ainda segundo o Planalto, Alckmin e Han Zheng destacaram o crescimento de 8,2% da corrente de comércio bilateral em 2025, quando foi registrado um recorde de US$ 171 bilhões. As autoridades reafirmaram o compromisso de manter o diálogo com vistas à ampliação e diversificação das relações comerciais entre Brasil e China.

O telefonema também abordou oportunidades de investimentos nos dois países, com destaque para as áreas de infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade. Ao final da conversa, Alckmin convidou o vice-presidente chinês a participar da próxima reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que deverá ocorrer no Brasil, em data ainda a ser definida.