Cão comunitário Abacate é morto a tiros no PR; moradores organizam protesto por justiça
Crime em Toledo ocorre dias após repercussão nacional do caso do cão Orelha, em SC
MAUS-TRATOSConhecido pelos moradores do bairro Tocantins como dócil, brincalhão e presente na rotina da comunidade, o cachorro comunitário Abacate foi morto a tiros na terça-feira (27), em Toledo, no Paraná. A morte do animal gerou revolta e levou moradores a organizarem uma manifestação por justiça.
Segundo relatos da vizinhança, Abacate era cuidado coletivamente e fazia parte do dia a dia da região. O cientista de dados Leandro Volanick, que ajudava a alimentar o cachorro, usou as redes sociais para lamentar o crime. “Nos fins de tarde, ele acompanhava minhas caminhadas. Era um amor de cachorro. Foi uma maldade sem tamanho”, escreveu.
A mobilização da comunidade já tem data marcada. Um protesto está previsto para sábado (31), às 10h, no Parque do Povo de Toledo. A manifestação pede identificação e punição do responsável pelo crime.
De acordo com a coordenadora de Proteção e Defesa Animal do município, Cinthia Moura, moradores encontraram Abacate ferido na manhã de terça-feira e o levaram às pressas para um hospital veterinário particular. O cão passou por cirurgia de emergência, mas não resistiu.
A bala atingiu o intestino do animal, provocando ferimentos graves. Mesmo com atendimento imediato, Abacate morreu após o procedimento cirúrgico.
A Polícia Civil do Paraná trata o caso como crime grave. Segundo o delegado Alexandre Macorin, responsável pela investigação, há indícios claros de que o disparo foi intencional. Uma pessoa que pode contribuir com informações já foi ouvida nesta quarta-feira (28).
“O que apuramos até agora indica intenção de matar”, afirmou o delegado. O autor pode responder por maus-tratos a animais com agravante de morte, crime que prevê pena de até cinco anos de prisão. “Não é um caso simples e não ficará impune”, reforçou.
A morte de Abacate ocorre poucos dias após o caso do cão comunitário Orelha ganhar repercussão nacional. Em Florianópolis (SC), o animal foi agredido por um grupo de adolescentes no início do mês e acabou submetido à eutanásia devido à gravidade das lesões.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, Orelha sofreu agressões severas na cabeça. A Polícia Civil identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, com apreensão de celulares e notebooks, mas ninguém foi detido até o momento.
A defesa de dois dos adolescentes afirma que não há imagens que comprovem o momento das agressões e pede cautela no julgamento público do caso. Os advogados também denunciam o que chamam de “linchamento virtual” contra as famílias envolvidas.