Índia confirma dois casos de vírus Nipah e descarta novos contágios após rastreamento
Ministério da Saúde afirma que contatos das pacientes testaram negativo e situação segue monitorada
SAÚDE GLOBALO Ministério da Saúde da Índia reafirmou nesta terça-feira (27) que o país confirmou apenas dois casos de infecção pelo vírus Nipah desde dezembro. A manifestação oficial ocorreu após a circulação de informações superestimadas sobre a doença, que geraram alerta indevido nas redes sociais e em parte da imprensa internacional.
De acordo com a pasta, os dois casos foram registrados no estado de Bengala Ocidental e envolvem duas enfermeiras que atuam no mesmo hospital. Ambas permanecem internadas e apresentam quadro clínico grave, com insuficiência respiratória e inflamação do cérebro, condição conhecida como encefalite.
Ainda segundo o ministério, todas as pessoas que tiveram contato direto ou indireto com as pacientes foram identificadas. Ao todo, 196 indivíduos passaram por rastreamento, monitoramento clínico e testagem laboratorial, com resultado negativo para o vírus Nipah.
As autoridades de saúde informaram que, após a confirmação das infecções, medidas imediatas foram adotadas para evitar a disseminação do vírus. O cenário segue sob vigilância constante, com acompanhamento das pacientes e reforço nos protocolos de controle epidemiológico na região.
O pronunciamento do governo indiano busca conter a propagação de informações incorretas sobre o surto e reforçar que, até o momento, não há indícios de transmissão comunitária da doença no país.
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, e desde então já foi detectado em diferentes países da Ásia. A transmissão pode ocorrer por contato direto com animais infectados, ingestão de alimentos contaminados ou por meio da transmissão entre pessoas, principalmente através de fluidos corporais e gotículas respiratórias.
Os morcegos são considerados os hospedeiros naturais do vírus, mas outras espécies, como porcos e cavalos, também podem ser infectadas e atuar como intermediárias na transmissão.
Em humanos, a infecção pelo Nipah pode não apresentar sintomas, mas também pode evoluir para quadros graves. As manifestações iniciais mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão da doença, podem surgir tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos associados à encefalite aguda.
Nos casos mais severos, há registros de pneumonia atípica, convulsões, insuficiência respiratória e coma. A taxa de letalidade do vírus é considerada elevada, variando entre 40% e 75%, dependendo das características do surto, da capacidade de vigilância epidemiológica e do manejo clínico dos pacientes.
Apesar da gravidade potencial da infecção, o Ministério da Saúde da Índia reforça que a situação está controlada, com número restrito de casos e ausência de novos contágios confirmados até o momento.