Pecuária no Pantanal abate mais cedo e recebe R$ 24,7 milhões em bônus
Programa Carne Sustentável/MS registra rebanho mais jovem, aumento de abates e pagamento extra por boi orgânico e sustentável no Pantanal
PECUÁRIA SUSTENTÁVELA pecuária pantaneira vem mudando o jeito de produzir e de ganhar dinheiro. Dados de 2025 do Programa Carne Sustentável/MS do Pantanal, ligado à Semadesc, mostram um rebanho mais jovem indo para o abate, mais animais dentro do protocolo orgânico e sustentável e milhões de reais em incentivo direto ao produtor.
Um dos principais sinais dessa mudança é a idade dos bois abatidos. Entre os machos inteiros, o grupo de animais com 0 a 4 dentes cresceu 16,20% e passou a representar mais de 76% dessa categoria em 2025. Já os animais mais velhos perderam espaço, o que indica um rebanho mais jovem, produtivo e com menor impacto ambiental por arroba produzida.
No total, foram 205.898 bovinos abatidos dentro do protocolo orgânico e sustentável no último ano, alta de 10,69% em relação a 2024, quando foram 186.009 animais. Segundo a Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), esse avanço mostra a consolidação do programa e o compromisso de quem produz no Pantanal com práticas mais responsáveis.
Além de mais novilha e boi saindo mais cedo, a qualidade também chama atenção: 96,92% dos animais foram classificados, resultado ligado a manejo cuidadoso, investimento em genética, nutrição e planejamento nas fazendas. Hoje, 115 propriedades rurais estão cadastradas e aprovadas no programa.
Para o diretor-executivo da ABPO, Guilherme Oliveira, os números comprovam uma evolução que aproveita a tradição do pantaneiro. Ele destaca que o conhecimento de quem sempre conviveu com a natureza agora se soma a técnicas modernas de manejo e sustentabilidade, reconhecidas pelo Programa Carne Sustentável/MS.
Bônus por produção responsável - O esforço em produzir respeitando o bioma também voltou em forma de dinheiro no bolso. Em 2025, foram pagos R$ 24,7 milhões em incentivos, referentes a 199.560 animais incluídos no programa.
Na modalidade orgânico, o valor médio repassado foi de R$ 185,29 por animal. Já na modalidade sustentável, o incentivo médio ficou em R$ 137,14. Na prática, além de cumprir critérios sociais, técnicos e ambientais, o produtor consegue agregar valor à arroba ao seguir o protocolo.