Brasileirão soma 151 estrangeiros e vira vitrine da América do Sul
Argentina lidera presença de gringos, Grêmio é o clube com mais estrangeiros e Brasil atua como "mercado intermediário" para Europa
FUTEBOLA poucos dias do início do Campeonato Brasileiro, os 20 clubes da Série A já reúnem 151 jogadores estrangeiros em seus elencos. O número ainda é ligeiramente menor que o da temporada passada, quando eram 157, mas a tendência é de aumento com a janela de transferências ainda aberta.
A Argentina é o principal “fornecedor” de atletas: são 38 jogadores no país. Em seguida aparecem Uruguai (30), Colômbia (27), Paraguai (15) e Equador (8), o que reforça o peso do eixo sul-americano no Brasileirão.
Entre os clubes, o Grêmio é hoje o time com mais estrangeiros no elenco, com 13 atletas. Na sequência vêm Botafogo e Santos, com 12 cada; Fluminense, com 11; e Athletico-PR, São Paulo e Vasco, todos com 10 jogadores de fora do Brasil.
Para Marcelo Teixeira, presidente do Santos, a quantidade de estrangeiros mostra como o campeonato se internacionalizou, com grandes clubes, estádios cheios, visibilidade global e nível técnico elevado, o que também movimenta negócios e impulsiona o futebol no continente.
Um levantamento dos últimos seis anos, desde 2019, aponta que o Botafogo foi o clube que mais contratou estrangeiros no período, com 33 jogadores. Depois aparecem Athletico (32), Santos (30), Vasco (30), Internacional (28) e Fortaleza (27).
No Internacional, o presidente Alessandro Barcellos lembra que o clube historicamente sempre recebeu muitos atletas de fora e que a proximidade geográfica e cultural com Argentina e Uruguai facilita essa integração.
O Fortaleza é um exemplo de como essa busca extrapola o eixo sul-americano. O clube contratou, para a base, o ganês Michael Quarcoo e o nigeriano Michael Fashanu, de olho em desempenho técnico, aplicação tática e na possível expansão da marca no continente africano. Em 2024, o Leão do Pici ainda firmou parceria com a Academia de Futebol de Angola, voltada ao intercâmbio de atletas e troca de metodologia. O projeto chegou a ser apresentado ao chefe do Serviço de Desenvolvimento Técnico da Fifa, Juerg Nepfe, e a representantes da federação angolana.
Para Marcos Casseb, sócio da Roc Nation Sports Brazil, que gerencia a carreira de centenas de atletas, a presença de tantos estrangeiros é resultado direto da combinação entre competitividade, oportunidade de mercado e regras que facilitam a entrada de jogadores de fora, somados ao peso financeiro e de visibilidade do futebol brasileiro.
Ele destaca que, para muitos sul-americanos, o Brasil não é o destino final, mas uma etapa estratégica da carreira: um mercado intermediário antes da Europa, especialmente para quem se destaca no Brasileirão. Além disso, os clubes brasileiros, na média, pagam menos por esses atletas do que ligas como a Premier League, o que torna a revenda mais interessante e com menos concorrência dentro do continente.
Casseb também lembra que atuar no Brasil aumenta as chances de visibilidade nas seleções nacionais. Segundo ele, em determinado momento das Eliminatórias, o Campeonato Brasileiro chegou a ter mais jogadores convocados para a seleção uruguaia do que a própria liga inglesa, o que reforça o peso do país como vitrine de relevância continental.