João Pedro Bitencourt | 27 de janeiro de 2026 - 19h30

Moraes arquiva pedido de investigação sobre vazamento conhecido como "Vaza Toga"

Decisão segue parecer da PGR, que apontou ausência de justa causa para apuração criminal no Supremo

POLÍTICA
Alexandre de Moraes arquivou representação que pedia investigação sobre o caso conhecido como "Vaza Toga". - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o arquivamento de uma representação criminal que pedia a abertura de investigação contra o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro e os blogueiros David Ágape e Eli Vieira, envolvidos no vazamento de mensagens de juízes auxiliares do STF e do TSE. O episódio ficou conhecido como “Vaza Toga”.

A decisão foi publicada nesta terça-feira (27) e acompanhou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou contrária à instauração de inquérito no âmbito do Supremo por ausência de requisitos legais.

A representação foi apresentada pela jornalista Letícia Sallorenzo de Freitas. Ela alegou ter sido alvo de uma campanha digital coordenada após a divulgação das mensagens, com acusações de infiltração no Judiciário, ameaças, divulgação de dados pessoais e perseguição nas redes sociais.

Segundo a petição, conteúdos publicados pelos autores do “Vaza Toga” teriam sido usados para deslegitimar o STF e o TSE, com suposta ligação aos inquéritos das fake news e das milícias digitais, ambos sob relatoria de Moraes.

A defesa da jornalista atribuiu papel central a Eduardo Tagliaferro, sustentando que entrevistas, declarações públicas e depoimentos prestados por ele — inclusive no Senado — teriam impulsionado ataques nas redes sociais, apontando Letícia como uma espécie de “agente infiltrada” junto ao Judiciário.

Tagliaferro foi indiciado por vazar mensagens internas que indicariam o uso do TSE para subsidiar investigações do STF. Após romper com Moraes, passou a se aproximar de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tornando-se referência entre críticos do ministro.

A petição também anexou registros de postagens com ameaças, incitação à violência e pedidos de exposição de dados pessoais da jornalista, além de episódios que teriam extrapolado o ambiente virtual, como o registro do endereço residencial dela no Google Maps com termos ofensivos.

Apesar do material apresentado, a PGR avaliou que a representação não descreveu fatos objetivos e individualizados que justificassem a abertura de investigação criminal no STF. Em parecer assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, o órgão afirmou que os episódios narrados se enquadram, em tese, como possíveis crimes contra a honra.

Segundo a PGR, esse tipo de conduta não atrai a competência do Supremo e não guarda relação direta com os inquéritos das fake news ou das milícias digitais. O entendimento é de que eventuais danos à honra da jornalista devem ser discutidos nas esferas criminal e cível, de forma individual.

Ao acolher o parecer, Alexandre de Moraes destacou que a abertura de investigação criminal exige justa causa, com indícios mínimos de autoria, tipicidade e punibilidade. Para o ministro, esses requisitos não ficaram demonstrados na representação apresentada.

Com isso, Moraes determinou o arquivamento imediato do pedido, com base no Regimento Interno do STF, encerrando a tentativa de levar o caso ao âmbito da Corte Suprema.