Antonio Perez | 27 de janeiro de 2026 - 19h45

Dólar cai para menor nível desde maio de 2024 com entrada de capital estrangeiro

Moeda recua 1,38%, fecha a R$ 5,20 e reflete fluxo externo, petróleo em alta e cenário global

ECONOMIA
Dólar fechou a R$ 5,20 nesta terça-feira, no menor nível desde maio de 2024. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O dólar teve forte queda no mercado local nesta terça-feira (27) e encerrou o pregão no menor patamar desde o fim de maio de 2024. A moeda americana fechou cotada a R$ 5,2067, recuo de 1,38% no dia, influenciada pela combinação de enfraquecimento global do dólar, entrada de recursos estrangeiros no Brasil e melhora no cenário doméstico.

Durante a tarde, a divisa chegou a operar abaixo de R$ 5,20, atingindo mínima de R$ 5,1987. O valor de fechamento é o mais baixo desde 28 de maio do ano passado, quando o dólar encerrou a R$ 5,1540. No acumulado de janeiro, a queda chega a 5,14%. Em 2025, a desvalorização já soma 11,18%, o pior desempenho anual da moeda desde 2016.

No cenário internacional, operadores apontam que a redução da exposição a ativos americanos tem favorecido moedas e bolsas de países emergentes. O movimento ocorre em meio às incertezas geradas pela política econômica e comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além do risco de um novo impasse orçamentário em Washington, que pode levar à paralisação parcial do governo americano.

Outro fator que pesou foi a alta superior a 2% nos preços do petróleo, o que fortaleceu moedas de países exportadores e ampliou o apetite por ativos de risco. No Brasil, a bolsa voltou a atrair recursos externos: o saldo de investimento estrangeiro na B3 já supera R$ 15,7 bilhões no mês.

No ambiente doméstico, a divulgação do IPCA-15 de janeiro abaixo das expectativas reforçou apostas de que o Banco Central pode iniciar um ciclo de cortes da Selic a partir de março. A expectativa de manutenção dos juros na chamada “Super Quarta” — tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos — mantém um diferencial elevado de taxas, favorecendo operações de carry trade e sustentando a valorização do real.

“Obviamente, o real é favorecido pela migração de recursos dos Estados Unidos para mercados emergentes, diante do desgaste da política econômica americana. Além disso, há a percepção de que o Banco Central brasileiro será cauteloso no ritmo de cortes de juros”, avalia o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.

No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu ao menor nível desde fevereiro de 2022. Euro e libra atingiram os maiores valores frente ao dólar desde 2021. O iene também se fortaleceu após declarações da ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, indicando possível atuação no mercado cambial.

Reportagem do Wall Street Journal apontou que o Federal Reserve de Nova York procurou contrapartes comerciais para discutir taxas de câmbio, alimentando especulações sobre eventual coordenação entre EUA e Japão para conter a desvalorização do iene.

À tarde, Trump voltou a defender publicamente a queda dos juros nos Estados Unidos e afirmou que o dólar está em um “ótimo valor”. A expectativa majoritária do mercado é de que o Federal Reserve mantenha a taxa básica entre 3,50% e 3,75% ao ano na reunião desta quarta-feira (28). Ainda assim, há preocupação com possíveis interferências políticas na condução da política monetária americana.

“A equipe econômica de Trump tem sinalizado que um dólar mais fraco ajuda na competitividade externa, e isso vem pesando sobre a moeda globalmente”, afirma André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica. Segundo ele, a queda acumulada do DXY em 12 meses é a mais intensa desde 2011. “O real se beneficia desse cenário e do fluxo externo positivo”, conclui.