Massafera diz que nova versão de Dona Beja pode incomodar "Vamos virar o siri na lata"
Protagonista da novela da HBO Max afirma que trama aborda racismo, violência contra a mulher e diversidade
TELEVISÃOAlém de estar diariamente no ar na novela Três Graças, da TV Globo, onde interpreta Arminda, a atriz Grazi Massafera se prepara para estrear como protagonista em Dona Beja, nova produção da HBO Max, que chega à plataforma no próximo dia 2 de fevereiro.
Escrita por Daniel Berlinsky e António Barreira, a novela é uma releitura da obra Dona Beija, criada por Wilson Aguiar Filho e exibida pela extinta TV Manchete, em 1986. A nova versão mantém o foco na trajetória de Ana Jacinta de São José, personagem histórica de Araxá (MG), cercada por mitos e marcada por uma postura à frente de seu tempo.
Na trama, Beja é uma mulher destemida que desafia os costumes do século 19 após ter o avô assassinado e ser levada à força para viver com um ouvidor. O episódio rompe sua relação com o noivo Antônio Sampaio, interpretado por David Junior, um homem preto e livre — elemento central para a discussão racial proposta pela novela.
A partir desse contexto, Dona Beja aborda temas contemporâneos como violência contra a mulher, racismo, casamento interracial, homofobia e transfobia, ampliando o debate social por meio de uma narrativa histórica.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27), Grazi afirmou que a produção deve causar incômodo em parte do público mais conservador.
“Os mais conservadores vão achar que é lacração. E queremos isso. Vamos virar o siri na lata”, declarou.
A atriz foi ainda mais direta ao comentar o impacto da história.
“A novela nos ensina a ter persistência. Te entregam cocô de cavalo e você entrega flores. A novela é flores para essa galera”, afirmou.
Grazi também relacionou a temática da obra à sua própria vivência.
“Falar sobre a luta das mulheres é a minha vida. Sou solteira e livre. Julgam meus namorados, meu corpo, minha filha…”, desabafou.
As declarações foram endossadas por colegas de elenco. Thalma de Freitas, que interpreta Josefa Carneiro de Mendonça, destacou que ataques às narrativas femininas são recorrentes.
“Há sempre alguém para tentar tirar a dignidade da nossa história. É do jogo. Estamos acostumadas a transformar crítica pesada em força”, disse.
Já Débora Evelyn, que vive Ceci, sogra da protagonista, afirmou que a arte é uma ferramenta fundamental no combate aos preconceitos. Para a atriz, a cultura tem papel essencial na transformação social.