Alimentação volta a subir em janeiro e pesa no orçamento das famílias, aponta IPCA-15
Após sete meses de queda, gastos com comida em casa avançam, com alta expressiva de tomate, batata e carnes
INFLAÇÃOOs gastos das famílias brasileiras com alimentação para consumo no domicílio registraram alta de 0,21% em janeiro, interrompendo uma sequência de sete meses consecutivos de queda. Os dados fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou inflação de 0,20% no mês.
O grupo Alimentação e Bebidas acelerou de uma alta de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro, respondendo por 0,07 ponto percentual do índice geral. A principal pressão veio da alimentação no domicílio, especialmente de produtos básicos que voltaram a encarecer no início do ano.
Entre os itens com maiores aumentos estão o tomate, que disparou 16,28%, a batata-inglesa, com alta de 12,74%, além das frutas (1,65%) e das carnes (1,32%). Em contrapartida, alguns produtos apresentaram queda de preços, como o leite longa vida (-7,93%), o arroz (-2,02%) e o café moído (-1,22%), o que ajudou a conter uma alta ainda maior no grupo.
A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara, com avanço de 0,56% em janeiro. O preço do lanche subiu 0,77%, enquanto a refeição fora de casa teve aumento de 0,44%, refletindo custos maiores enfrentados por bares e restaurantes.
Habitação traz alívio com queda da energia elétrica - No sentido oposto, os gastos com Habitação ajudaram a conter a inflação. O grupo passou de uma alta de 0,17% em dezembro para uma queda de 0,26% em janeiro, contribuindo com -0,04 ponto percentual para o IPCA-15.
O principal fator de alívio foi a energia elétrica residencial, que recuou 2,91% no mês, representando o maior impacto individual negativo do índice, de -0,12 ponto percentual. Segundo o IBGE, a queda está relacionada à mudança da bandeira tarifária, que passou de amarela em dezembro — com cobrança adicional — para verde em janeiro, sem custo extra para o consumidor.
Apesar disso, outros itens da habitação subiram. A taxa de água e esgoto avançou 1,74%, enquanto o gás encanado registrou alta de 2,51%. Também houve impacto residual de um reajuste tarifário de 21,95% em uma concessionária de Porto Alegre, em vigor desde novembro.
O grupo Transportes apresentou queda de 0,13% em janeiro, após ter subido 0,69% em dezembro, contribuindo com -0,03 ponto percentual para o índice geral. O recuo foi puxado principalmente pela redução nos preços das passagens aéreas, que caíram 8,92%, segundo maior impacto negativo individual do mês.
O ônibus urbano também ficou mais barato, com queda de 2,79%, influenciada pela adoção de gratuidade aos domingos e feriados em capitais como São Paulo e Belo Horizonte. Em contrapartida, metrô (2,52%) e trem (2,43%) registraram aumento.
Os combustíveis, no entanto, impediram um alívio maior. O grupo subiu 1,25%, com destaque para o etanol (3,59%) e a gasolina (1,01%). A gasolina foi o item de maior pressão individual no IPCA-15 de janeiro, com impacto de 0,05 ponto percentual.
Comunicação e saúde pressionam inflação - Os gastos com Comunicação aceleraram de 0,01% em dezembro para 0,73% em janeiro, puxados principalmente pela alta de 2,57% nos aparelhos telefônicos, que contribuíram com 0,03 ponto percentual para o índice.
Já o grupo Saúde e Cuidados Pessoais avançou 0,81%, após leve queda no mês anterior. O segmento teve contribuição de 0,11 ponto percentual para a inflação de janeiro. As maiores pressões vieram dos artigos de higiene pessoal, com alta de 1,38%, e dos planos de saúde, que subiram 0,49%.
O resultado do IPCA-15 de janeiro mostra um cenário de inflação moderada, mas com sinais de alerta no orçamento das famílias, especialmente nos gastos com alimentação, que voltaram a subir após meses de alívio.