Dow Jones Newswires | 27 de janeiro de 2026 - 15h35

Mark Carney reafirma críticas a Trump e diz manter discurso sobre coerção econômica

Primeiro-ministro do Canadá afirmou ter deixado claro ao presidente dos EUA que não recuará das declarações feitas em Davos

DIPLOMACIA
Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante participação no Fórum Econômico Mundial, na Suíça. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta terça-feira (27) que manteve, em conversa direta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, todas as declarações feitas na semana passada durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Segundo Carney, ele deixou claro ao líder norte-americano que não voltaria atrás no discurso que defende uma reação conjunta de países de menor porte contra práticas de coerção econômica.

“Para ser absolutamente claro, e eu disse isso ao presidente: eu quis dizer o que disse em Davos”, afirmou Carney, antes de uma reunião de gabinete. O premiê canadense explicou que sua fala tratou de um conjunto mais amplo de temas ligados à política comercial internacional e reforçou que o Canadá foi um dos primeiros países a perceber a mudança de postura dos Estados Unidos nessa área.

Embora não tenha citado diretamente os EUA nem Trump em Davos, o discurso de Carney foi interpretado por analistas e diplomatas como uma crítica às estratégias do governo norte-americano de usar seu peso econômico e militar para alcançar objetivos geopolíticos. A mensagem, segundo observadores, serviu como um modelo para que outros países resistam a esse tipo de pressão.

A conversa entre Carney e Trump ocorreu poucos dias após o presidente dos Estados Unidos ameaçar impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso o país avançasse em um acordo de livre comércio com a China, principal rival econômico de Washington. Neste mês, no entanto, Canadá e China anunciaram uma trégua comercial, com a redução de tarifas sobre veículos elétricos chineses e produtos agrícolas canadenses.

Nas redes sociais, Trump voltou a adotar um tom provocativo. Em publicações na plataforma Truth Social, chamou Carney de “governador”, retomando declarações anteriores em que sugeriu usar pressão econômica para que o Canadá se tornasse o 51º Estado americano. O presidente também afirmou que o país estaria “se destruindo sistematicamente” ao aprofundar relações econômicas com Pequim.

Carney confirmou que abordou diretamente esse tema durante a ligação telefônica. Segundo ele, explicou a Trump a estratégia de diversificação do comércio exterior canadense e detalhou o atual entendimento com a China. O premiê reforçou ainda que, apesar do diálogo com Pequim, o Canadá não tem interesse em negociar um acordo formal de livre comércio com os chineses.

Autoridades do alto escalão do governo canadense reiteraram essa posição, afirmando que a prioridade do país é reduzir a dependência excessiva de qualquer parceiro comercial específico, mantendo autonomia em suas decisões econômicas e diplomáticas.