Leonardo Catto | 27 de janeiro de 2026 - 13h55

Rafinha assume como gerente esportivo e aposta em vitórias para recuperar o São Paulo

Ex-lateral chega para melhorar o ambiente interno, apoiar Crespo e ajudar a reconectar elenco e diretoria

FUTEBOL
Rafinha é apresentado como novo gerente esportivo do São Paulo. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

A chegada de Rafinha ao São Paulo faz parte da estratégia da gestão de Harry Massis Júnior para reorganizar o ambiente interno do clube e criar condições para a recuperação dentro de campo. Apresentado oficialmente nesta terça-feira, o ex-lateral assume o cargo de gerente esportivo com a missão de atuar próximo aos jogadores e servir como elo entre elenco e diretoria.

Durante a apresentação, Rafinha destacou que o principal caminho para a retomada da confiança passa pelos resultados. Segundo ele, o momento do clube exige compreensão do cenário, mas sem perder a ambição esportiva. O ex-jogador também saiu em defesa do técnico Hernán Crespo, mesmo reconhecendo divergências em relação a declarações recentes sobre as expectativas do São Paulo no Campeonato Brasileiro.

“Foi uma fala após uma derrota no clássico. Claro que o São Paulo não entra em uma competição para fazer apenas 45 pontos. A gente sabe do nosso momento, respeitando isso, mas é o São Paulo, com respeito aos outros clubes”, afirmou.

Rafinha ponderou que o contexto vivido pelo clube ajuda a explicar discursos mais cautelosos após partidas negativas. “Às vezes, no calor do pós-jogo, com atraso de pagamento, sem reforços, acontecem essas declarações. A gente entende. Depois a gente pensa, vê que exagera”, completou.

O novo gerente esportivo deixou claro que sua atuação será concentrada no dia a dia do futebol e na relação direta com os atletas. Embora possa participar de conversas sobre contratações, Rafinha não terá atribuições diretivas e funcionará como porta-voz do elenco junto à gestão.

“Venho para fazer o que eu sempre fiz, mas agora sem chuteira. O chamado do São Paulo mexe muito comigo”, disse. “Quero muito ajudar. É o momento certo de estar aqui, estou com o cheiro da grama ainda.”

Além de atuar internamente, Rafinha afirmou que também terá a função de ajudar o torcedor a recuperar a confiança no clube, mas sem assumir um papel salvador. “Não sou salvador da pátria, nem tenho poder para isso”, ressaltou.

Ele também se colocou à disposição para colaborar com a comissão técnica, desde que seja solicitado. “Sempre com muito respeito. O Crespo é o nosso treinador. Foi muito vitorioso, é muito inteligente”, afirmou, reforçando o respaldo ao comandante são-paulino.

Rafinha chega em um momento delicado nos bastidores do São Paulo, marcado por mudanças na diretoria e instabilidade institucional. O ex-jogador reconheceu os problemas extracampo, mas reforçou que eles não podem servir de justificativa para o desempenho esportivo.

“Temos que olhar para frente, pensar grande. Não é porque estamos com problemas extracampo que deixamos de ser respeitados e ser um clube gigante. Não existe tempestade eterna, nem fase boa eterna”, declarou.

Nos últimos meses, a relação entre diretoria e elenco se desgastou. Após a saída de Carlos Belmonte do cargo de diretor de futebol, o então CEO Márcio Carlomagno passou a frequentar mais o CT da Barra Funda, mas perdeu espaço gradativamente e deixará o cargo ao fim do mês.

Com Muricy Ramalho afastado por questões de saúde, a intermediação ficou a cargo do executivo Rui Costa, que homenageou Muricy antes da apresentação de Rafinha. Apesar de elogios ao trabalho de Rui, atletas e membros da comissão técnica admitem que o ambiente de investigações policiais e processo de impeachment impactou o rendimento em campo.

Harry Massis Júnior, que assumiu a presidência de forma definitiva após a renúncia de Júlio Casares, pretende apresentar ao elenco um novo cronograma de pagamento dos direitos de imagem, atualmente em atraso. Os salários registrados em folha seguem em dia.

Nos últimos anos, o São Paulo adotou a prática de quitar os direitos de imagem apenas no fim do mês seguinte, em razão do baixo fluxo de caixa. Para reorganizar essa situação, a diretoria entende que não haverá espaço para grandes investimentos em contratações.

O clube trabalha com um perfil mais restrito de mercado, priorizando atletas em fim de contrato, livres ou por empréstimo. Nesta janela, chegaram Coronel, Danielzinho e Matheus Dória. Lucas Ramon é aguardado para maio, quando encerra vínculo com o Mirassol. As saídas de Rodriguinho, para o Red Bull Bragantino, e Alisson, para o Corinthians, devem gerar alívio financeiro.

Dentro de campo, o São Paulo estreia no Campeonato Brasileiro nesta quarta-feira, diante do Flamengo, atual campeão, no MorumBis. No sábado, o time volta a jogar em casa, contra o Santos, pelo Paulistão, em confronto direto na luta para se afastar da zona de rebaixamento.

A expectativa da diretoria é que a chegada de Rafinha ajude a estabilizar o ambiente interno e contribua para uma reação esportiva em um momento decisivo da temporada.