Victor Ohana | 27 de janeiro de 2026 - 14h20

Guimarães diz que caso Banco Master não atinge governo e rejeita criação de CPI

Líder do governo na Câmara afirma que apurações cabem ao Banco Central e à Polícia Federal

POLÍTICA
José Guimarães afirma que caso do Banco Master não envolve o governo federal e critica abertura de CPI. - Foto: Câmara dos Deputados

O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o escândalo envolvendo o Banco Master não tem potencial para atingir o governo federal nem comprometer o que classificou como um “bom momento” da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no atual período pré-eleitoral. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil, nesta terça-feira, 27.

Questionado sobre a possibilidade de o caso respingar no Palácio do Planalto, Guimarães foi direto ao afastar essa hipótese. “Não, porque não é uma questão de governo. Como tem dito o presidente Lula, é uma questão que cabe ao Banco Central, que está conduzindo as tratativas na suspensão das atividades do Banco Master, e à Polícia Federal. Não é uma ação de governo”, afirmou.

Segundo o parlamentar, o Executivo deve manter o foco na agenda econômica e social, independentemente do avanço das investigações. Para ele, o trabalho conduzido pelas autoridades responsáveis afasta qualquer vínculo direto com o governo federal. “Pode atingir outras esferas da República, mas acho muito difícil essa operação, o que o Banco Central está fazendo e, sobretudo, a Polícia Federal está fazendo nas apurações, possa atingir o governo. Muito pelo contrário”, declarou.

Guimarães também destacou a atuação da Polícia Federal no caso, elogiando o que classificou como autonomia institucional. De acordo com o deputado, a PF tem conduzido as investigações sem interferência política. “Transformou-se em uma instituição autônoma, que executa o seu trabalho sem pedir autorização”, disse. Para ele, esse cenário contribui para que o episódio não interfira no ambiente político do governo. “Eu não acho que esse fato interdite este bom momento que o governo está vivendo do ponto de vista daquilo que nós estamos entregando no período pré-eleitoral.”

Durante a entrevista, o líder governista também se posicionou contra a eventual criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso do Banco Master. Guimarães afirmou que, do ponto de vista político, a instalação de uma CPI não interessa ao governo.

“Eu tenho uma opinião política que vem desde o primeiro momento que eu assumi, na época, a liderança do governo da presidenta Dilma aqui na Câmara. Quem é governo, CPI nunca é bom. CPI, você sabe como começa, mas não sabe como termina”, afirmou.

Na avaliação do deputado, CPIs só se justificam quando os órgãos de controle e investigação não estão cumprindo seu papel, o que, segundo ele, não ocorre no caso atual. “Se o governo estivesse atuando para acobertar qualquer delito ou qualquer erro de personalidades do governo, a Polícia Federal não estava fazendo o trabalho que está fazendo. A Polícia Federal está sendo implacável”, disse.

Guimarães afirmou ainda que pretende conversar com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para apresentar sua posição contrária à CPI. “CPI é discurso da oposição, é palanque da oposição. É claro que nós não podemos banalizar o instituto das CPIs, mas elas precisam ocorrer diante de uma lógica”, declarou.

Apesar do discurso firme, o líder do governo ponderou que não pretende, necessariamente, atuar para barrar a instalação de uma comissão. “Eu não acho conveniente, mas isso não significa que nós vamos agir no sentido da não instalação. Nós vamos dialogar”, concluiu.