Lula e Macron defendem fortalecimento da ONU e condenam uso da força na Venezuela
Presidentes conversam por telefone e tratam de paz global, acordo Mercosul-UE e cooperação bilateral
POLÍTICA INTERNACIONALO presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conversou por telefone na manhã desta terça-feira, 27, com o presidente da França, Emmanuel Macron, em uma conversa de aproximadamente uma hora em que os dois líderes abordaram temas centrais da política internacional atual.
No centro do diálogo esteve a proposta do chamado “Conselho de Paz”, iniciativa apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem gerado debates sobre seu papel em relação à Organização das Nações Unidas (ONU). Lula e Macron coincidiram na defesa do fortalecimento da ONU e afirmaram que qualquer iniciativa voltada à paz e à segurança internacional deve estar alinhada ao mandato do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas.
Outro ponto importante da conversa foi a situação na Venezuela, em especial após a recente ação militar liderada pelos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores. Os dois mandatários repudiaram o uso da força em violação ao direito internacional e enfatizaram a necessidade de manter a paz e a estabilidade tanto na América do Sul quanto em outras regiões do mundo.
A conversa também explorou a relação bilateral entre Brasil e França. Lula destacou a importância do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, apontando que o tratado é vantajoso para ambas as partes por “defender o multilateralismo e o comércio baseado em regras”. Os presidentes orientaram suas equipes a acelerar negociações em áreas como defesa, ciência, tecnologia e energia, com a expectativa de concluir acordos ainda no primeiro semestre de 2026.
O diálogo entre Lula e Macron ocorre em um momento de intensificação da atuação diplomática brasileira no cenário global, com o Brasil buscando reforçar parcerias multilaterais e posicionar-se como interlocutor em temas complexos de governança internacional, inclusive no que diz respeito à manutenção da ordem multilateral e à resolução pacífica de conflitos.