Vanessa Araujo | 27 de janeiro de 2026 - 13h00

Oposição pede impeachment de Ibaneis e aciona STJ por caso envolvendo BRB e Banco Master

Partidos questionam atuação do governador do DF após revelações sobre reuniões com dono do Banco Master

POLÍTICA
Sede do BRB em Brasília aparece no centro das discussões que motivaram pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha. - (Foto: Paulo H. Carvalho)

A oposição ao governo do Distrito Federal intensificou, nos últimos dias, a ofensiva política e jurídica contra o governador Ibaneis Rocha (MDB) em meio a questionamentos envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. As iniciativas atingem tanto a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) quanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na última sexta-feira, 23, PSB e Cidadania protocolaram pedidos de impeachment contra o governador na CLDF. No mesmo dia, o PSOL apresentou uma representação própria. As ações foram motivadas por reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que revelou um depoimento do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à Polícia Federal. Segundo ele, houve uma conversa direta com Ibaneis Rocha sobre a venda da instituição ao BRB.

Após a repercussão do caso, o governador confirmou que se encontrou com Vorcaro, mas negou ter tratado da negociação envolvendo os bancos. “Entrei mudo e saí calado”, afirmou, ao rebater as acusações.

A reportagem procurou o governo do Distrito Federal para comentar o assunto, mas não houve manifestação até a publicação desta matéria.

A tramitação dos pedidos de impeachment depende agora de uma decisão do presidente da CLDF, deputado distrital Wellington Luiz (MDB), aliado político de Ibaneis. Em entrevista ao Valor Econômico, Wellington classificou as representações como movimentos de cunho político e relacionados ao calendário eleitoral. “Em princípio, a impressão que eles trazem é que, por ser um ano eleitoral, é óbvio que esses partidos, partidos da oposição declarada, marquem posição”, afirmou.

De acordo com o presidente da Câmara Legislativa, os pedidos estão sob análise da Procuradoria da Casa, que avalia se os requerimentos atendem aos critérios formais para seguirem adiante. Wellington Luiz disse ainda que o governador não se reuniu com a base aliada para tratar do caso, mas que um encontro deve ocorrer após a retomada dos trabalhos legislativos, marcada para 3 de fevereiro.

Além das movimentações no Legislativo local, o caso chegou ao STJ. Nesta segunda-feira, 26, cinco partidos — PT, Rede, PDT, PCdoB e PV — protocolaram uma notícia de fato solicitando a apuração de possíveis crimes comuns e atos de improbidade administrativa atribuídos a Ibaneis no contexto da relação entre o BRB e o Banco Master. As legendas também pedem o afastamento do governador, sob o argumento de preservar a integridade das investigações.

Com o protocolo, caberá ao STJ encaminhar o pedido ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá se há elementos para a abertura de uma investigação formal. Para a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), o afastamento do governador é uma medida necessária. “A gente precisa afastá-lo. Precisamos de transparência, para que a investigação transcorra sem nenhuma influência política”, declarou.

No Distrito Federal, a ofensiva da oposição não se limita às representações já protocoladas. O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) solicitou ao MPF a abertura de investigação contra Ibaneis Rocha e o bloqueio de seus bens. Além disso, parlamentares articulam um novo pedido de impeachment, que deve ser apresentado com a retomada das atividades legislativas.

O caso envolvendo o Banco Master tramita atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli. O processo foi avocado pelo STF após o nome do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) aparecer em documentos apreendidos durante a investigação. Inicialmente, o caso estava no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mas chegou à Corte Suprema após pedido da defesa de Daniel Vorcaro, que alegou a existência de autoridade com foro privilegiado.

Reportagens do Estadão também revelaram que Fabiano Zettel, um dos investigados e cunhado de Vorcaro, comprou a participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli em um resort no Paraná. A sede da empresa fica no endereço residencial de um dos irmãos do ministro. Procurada, a cunhada de Toffoli afirmou que o marido nunca foi dono de resort.

Antes disso, o ministro já havia sido alvo de críticas após viajar em um jatinho particular ao lado do advogado do Banco Master, Augusto Arruda Botelho, para acompanhar a final da Libertadores, em Lima, no Peru. O conjunto de fatos ampliou a pressão política e jurídica em torno do caso, que agora avança em diferentes frentes institucionais.