27 de janeiro de 2026 - 08h20

Justiça mantém preso idoso que matou ex-mulher a pauladas em Corumbá

Idoso de 73 anos tem prisão em flagrante convertida em preventiva após matar a ex-mulher a pauladas dentro de casa na Vila Guarani, em Corumbá (MS)

FEMINICÍDIO
Ex-marido mata Rosana Candia Ohara a pauladas em Corumbá; caso é o segundo feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Antônio Lima de Ohara, de 73 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva após matar a ex-companheira, Rosana Candia Ohara, 62, a pauladas dentro da casa onde ela vivia, na Vila Guarani, em Corumbá, na madrugada de domingo (25). O crime, registrado como feminicídio, provocou comoção entre vizinhos e amigos da vítima.

A decisão foi tomada pelo Poder Judiciário de Corumbá na segunda-feira (26), durante audiência de custódia. Antônio havia sido preso em flagrante na noite de sábado (24) e responde pelos crimes de feminicídio, ameaça e desacato. Além de atacar Rosana, ele ameaçou vizinhos que tentaram intervir e ainda reagiu com violência à ação policial.

Na audiência de custódia, a juíza responsável pelo caso analisou os elementos reunidos pela polícia. A Justiça entendeu que há materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. Entre as provas avaliadas estão depoimentos de policiais e testemunhas, o relatório preliminar do local do crime e a confirmação oficial da morte de Rosana.

Ao justificar a prisão preventiva, a magistrada destacou que o caso exige uma resposta firme do Estado diante da violência praticada.

“Além da presença da materialidade do delito e os indícios suficientes de autoria, revela-se necessária a prisão cautelar do investigado para a garantia da ordem pública, uma vez que os fatos noticiados no bojo desse auto de prisão em flagrante são concretamente e demasiadamente graves”, pontuou.

Com isso, a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva, o que impede que Antônio responda ao processo em liberdade neste momento. A Justiça determinou a transferência dele para o Estabelecimento Prisional Masculino de Corumbá, onde permanece à disposição das autoridades.

O crime aconteceu na residência onde a vítima vivia, localizada na Rua Bahia, na Vila Guarani, em Corumbá, a cerca de 430 quilômetros de Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, o ataque ocorreu na madrugada de domingo (25).

Vizinhos relataram ter ouvido gritos de socorro vindos do quintal. Ao olhar por cima do muro, testemunhas viram Antônio agredindo Rosana com um pedaço de madeira, atingindo principalmente a região da cabeça.

De acordo com os depoimentos, a vítima já estava caída no chão quando as pauladas continuaram. Uma das testemunhas ainda tentou intervir, pedindo que o agressor parasse e alertando que ele poderia matar a ex-esposa. Mesmo assim, ele não interrompeu as agressões.

Diante da cena, um morador acionou a Polícia Militar pelo telefone 190. Outros vizinhos, com medo de se tornarem alvo da violência, se abrigaram dentro de casa enquanto aguardavam a chegada da equipe policial.

Após o ataque, conforme relataram as testemunhas, Antônio deixou o interior da casa e passou a ameaçar quem tentou ajudar Rosana. Ele teria dito que, se alguém se aproximasse, “iria sobrar” para essa pessoa. Em seguida, pegou uma faca, colocou o objeto em uma bicicleta e fugiu do local.

Quando os vizinhos conseguiram entrar na residência, encontraram Rosana caída no chão, gravemente ferida. O Corpo de Bombeiros foi acionado e iniciou o atendimento ainda no imóvel. Apesar das tentativas de reanimação, a idosa não resistiu. O óbito foi confirmado por um médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

A Polícia Militar isolou o imóvel até a chegada da Polícia Civil e da perícia. No local, peritos constataram lesões graves na região da cabeça de Rosana, compatíveis com as agressões descritas pelos vizinhos.

O pedaço de madeira usado no ataque é mencionado nos relatos das testemunhas, embora o boletim de ocorrência não traga a informação de que o objeto tenha sido apreendido. Ainda assim, as evidências reunidas até agora indicam um ataque extremamente violento, concentrado na cabeça da vítima.

Após colher informações com moradores e familiares, policiais saíram em busca de Antônio. Horas depois, ele foi encontrado na casa de parentes.

Durante a abordagem, conforme o boletim de ocorrência, Antônio voltou a fazer ameaças, desta vez direcionadas aos policiais que cumpriam a prisão. Ele foi detido em flagrante e encaminhado à delegacia.

Além do feminicídio, o idoso também responde por ameaça, devido às intimidações contra vizinhos, e por desacato, por causa da forma agressiva com que reagiu à ação policial.

Depois dos procedimentos na delegacia, o caso seguiu para o Poder Judiciário, que analisou a prisão em flagrante na audiência de custódia e decidiu mantê-lo preso de forma preventiva.

A morte de Rosana provocou forte comoção em Corumbá. Nas redes sociais, amigos, conhecidos e vizinhos lamentaram o crime e relembraram a história da vítima.

Os depoimentos pintam o retrato de uma mulher dedicada à família e ao trabalho. Em uma das mensagens, uma conhecida escreveu:

“Era uma grande mulher, guerreira sempre trabalhando pelos filhos ajudando o lar em tudo, conheci ainda jovem quando tinham a frutaria ali na 13 com a 7…”, relatou.

Essas manifestações mostram o impacto do crime para além dos números de violência: atrás do registro de feminicídio está a vida de uma mulher conhecida na vizinhança, com laços afetivos construídos ao longo dos anos.