João Pedro Bitencourt | 26 de janeiro de 2026 - 21h15

Bancada do Novo protocola notícia-crime na PGR e representação na PF contra Dias Toffoli

Parlamentares alegam interferência atípica do ministro do STF em investigações envolvendo o Banco Master e pedem apuração de possíveis irregularidades

POLÍTICA
O ministro Dias Toffoli. - (Foto: Gustavo Moreno/STF)

A bancada do Partido Novo protocolou nesta segunda-feira (26) uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) e uma Comunicação de Fatos à Polícia Federal (PF) contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os parlamentares apontam uma suposta interferência atípica do magistrado na condução de investigações relacionadas ao Banco Master.

As representações foram assinadas pelo deputado Marcel van Hattem (RS), líder do partido na Câmara, pela deputada Adriana Ventura (SP) e pelo senador Eduardo Girão (CE). Nos documentos, o grupo solicita a apuração de possíveis irregularidades na atuação do ministro como relator do caso.

Com os novos protocolos, Toffoli passa a ser alvo de oito representações relacionadas ao inquérito envolvendo o Banco Master. Na semana passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou um pedido de afastamento do ministro da relatoria, também apresentado por parlamentares do Novo.

Procurado, o ministro Dias Toffoli não se manifestou. O espaço segue aberto.

Segundo os parlamentares, ao assumir a relatoria do processo, Toffoli teria adotado medidas que extrapolariam os limites da função jurisdicional. Entre os pontos citados estão a decisão de colocar o caso sob sigilo, a transferência do inquérito para o STF por decisão monocrática e a concentração, sob sua relatoria, de atos que, segundo os autores, deveriam permanecer sob condução da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF).

Na Comunicação de Fatos enviada à PF, a bancada também aponta decisões que teriam interferido diretamente na dinâmica da investigação, como a determinação para que materiais apreendidos fossem lacrados e mantidos sob guarda do Supremo, além da escolha de peritos da PF para atuar no caso.

Os documentos citam ainda interferências na definição de prazos, na organização de depoimentos e na realização de oitivas nas dependências do STF, o que, na avaliação dos parlamentares, teria restringido a autonomia técnica da Polícia Federal.

A representação menciona reportagens jornalísticas, incluindo do Estadão, que apontam vínculos pessoais e familiares envolvendo o ministro e pessoas ligadas ao núcleo investigado.

Como revelou o jornal, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, é proprietário dos fundos de investimento que adquiriram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, localizado no interior do Paraná.

Segundo os parlamentares, esses elementos, analisados em conjunto, justificariam uma apuração aprofundada por parte dos órgãos de controle.

PEDIDOS À PGR

Na notícia-crime apresentada à Procuradoria-Geral da República, o Partido Novo sustenta que os fatos podem configurar, em tese, crimes como lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e interferência indevida em investigação. A bancada solicita a abertura de procedimento investigatório e a eventual inclusão do ministro no polo das apurações.

“A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal precisam agir com independência e cumprir seu dever constitucional. A sociedade exige uma resposta clara das instituições de Estado. Este não é um caso que vai ser varrido para debaixo do tapete”, afirmou Marcel van Hattem, em nota.

Os parlamentares afirmam que a iniciativa tem caráter institucional e não político, defendendo que cabe ao Congresso provocar os órgãos de controle sempre que houver indícios de irregularidades envolvendo autoridades da República, inclusive membros do Judiciário.

OUTRAS REPRESENTAÇÕES CONTRA TOFFOLI

A condução do inquérito do Banco Master por Dias Toffoli motivou, até o momento, oito representações e iniciativas formais contra o ministro em instâncias como a PGR, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Senado Federal.

Das oito representações, cinco são pedidos de suspeição. Um deles já foi negado pela PGR, enquanto outros quatro aguardam manifestação do procurador-geral Paulo Gonet. Além disso, Toffoli é alvo de um pedido de impeachment protocolado no Senado.

As iniciativas incluem notícias-crime, representações administrativas e pedidos de afastamento, que questionam desde possíveis conflitos de interesse até decisões consideradas atípicas do ponto de vista jurídico.

O Partido Novo também informou que pretende protocolar, após o recesso parlamentar, um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, com apoio de mais de 100 congressistas.

PRINCIPAIS INICIATIVAS DO NOVO NO CASO