Caroline Aragaki | 26 de janeiro de 2026 - 19h15

Dólar cai ao menor nível desde junho de 2024, mas perde fôlego no fim do dia

Moeda chegou a R$ 5,26 com dólar fraco no exterior, mas queda de commodities limitou o movimento

ECONOMIA
Dólar recua em janeiro com cenário externo favorável, mas queda de commodities limita movimento. - (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O dólar atingiu, nesta segunda-feira (26), sua menor cotação intradia desde junho de 2024, ao tocar R$ 5,2612. O movimento foi impulsionado pelo enfraquecimento global da moeda americana e pela atratividade do carry trade no Brasil. No entanto, a queda perdeu intensidade no fim da tarde, com a baixa dos preços das commodities e uma desaceleração do rali do Ibovespa.

No fechamento, o dólar à vista recuou 0,12%, cotado a R$ 5,2797 — menor valor desde 11 de novembro de 2025. No acumulado de janeiro, a moeda registra queda de 3,81%.

No cenário externo, especulações de que os Estados Unidos estariam coordenando, junto ao Japão, uma intervenção para sustentar o iene levaram o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes — à mínima em quatro meses. O movimento também favoreceu a valorização de moedas emergentes.

“A partir da situação de que os EUA podem entrar nessa intervenção para proteger o iene, pode ser que o país saia prejudicado do ponto de vista fiscal”, avaliou o diretor de investimentos da Nomos, Beto Saadia.

O ambiente de cautela foi reforçado pela possibilidade de uma nova paralisação do governo americano. Parlamentares democratas avaliam não votar o Orçamento sem mudanças nas políticas de segurança interna, após dois cidadãos morrerem em confrontos com agentes da Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Na plataforma Polymarket, a probabilidade de um novo shutdown subiu de 9% na sexta-feira para 81% nesta segunda.

No campo geopolítico, o presidente Donald Trump voltou a tensionar o cenário ao ameaçar impor tarifas de 100% ao Canadá em razão de negociações do país com a China. Também persistem incertezas sobre a escolha do próximo presidente do Federal Reserve (Fed).

O Fed decide sobre os juros nesta quarta-feira, no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne no Brasil. A expectativa do mercado é de manutenção do diferencial de juros favorável ao país, fator que sustenta o interesse por ativos brasileiros.

Ainda assim, a queda do petróleo e do minério de ferro ao longo da tarde ajudou o dólar a se afastar das mínimas do dia. “O fluxo para a Bolsa deu uma segurada”, afirmou o operador de câmbio Fernando Cesar, da AGK Corretora.

Apesar da leve queda do Ibovespa, Saadia avalia que o investidor global segue ajustando suas posições. “Estamos vendo uma predileção maior por empresas que não são de tecnologia. O fluxo que ia para as ‘sete magníficas’ está sendo redirecionado para empresas emergentes”, disse.