Carlos Guilherme | 26 de janeiro de 2026 - 15h40

Gaeco denuncia célula do PCC que planejava crimes na região pantaneira

Grupo de cinco investigados teria atuado em tráfico de drogas, "tribunais do crime" e expansão da facção na Regional Pantanal

INVESTIGAÇÃO
Investigação do Gaeco em Mato Grosso do Sul aponta célula do PCC atuando na chamada "Regional Pantanal", com base em Aquidauana e cidades vizinhas (Foto: Divulgação) - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Uma investigação do Gaeco levou à denúncia de cinco pessoas acusadas de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Aquidauana e cidades vizinhas. Segundo a acusação, o grupo fazia parte de uma estrutura hierarquizada voltada ao tráfico de drogas, demarcação de território e planejamento de crimes violentos.

A denúncia já foi recebida pela Justiça, e a ação penal entrou na fase de instrução, que começa com os depoimentos das testemunhas de acusação. Todos os réus tiveram a prisão preventiva decretada.

De acordo com o Gaeco, a célula era comandada por um integrante da facção que exercia a função de “geral de disciplina” na hierarquia do PCC. Interceptações e diligências apontam que cabia a ele coordenar as ações do grupo nas ruas, controlar a conduta dos demais faccionados e aplicar sanções internas a quem desrespeitasse as regras.

O procedimento foi instaurado após o registro de pichações em locais públicos, usadas para reivindicar territórios, intimidar grupos rivais e demonstrar a presença da facção no Estado.

As apurações indicam que a atuação do grupo fazia parte da estratégia de expansão da chamada “Regional Pantanal”, subdivisão territorial do PCC criada entre 2018 e 2019. Essa regional abrange os municípios de Aquidauana, Anastácio, Miranda, Ladário, Corumbá e Porto Murtinho.

Segundo o Gaeco, a facção buscava consolidar o controle do tráfico nesses municípios e fortalecer sua atuação na fronteira.

Rotas alternativas e drogas vindas da Bolívia - O grupo investigado, conforme a denúncia, usava rotas alternativas para transportar drogas vindas da Bolívia, passando por Corumbá. Uma dessas rotas era a chamada “Estrada do 21”, utilizada para deslocar os entorpecentes até outras cidades de Mato Grosso do Sul.

Para tentar driblar a fiscalização, as drogas eram escondidas em pneus estepes dos veículos, estratégia apontada pelo Ministério Público como parte da logística do tráfico.

Além do tráfico, os réus são apontados como participantes de “tribunais do crime”, nome dado pela facção às sessões de punição de quem descumpre suas regras. De acordo com a investigação, esses justiçamentos costumam ser acompanhados de tortura.

Um dos casos citados na denúncia envolve a execução de um ex-integrante do PCC em Miranda. A motivação, segundo o Gaeco, teria sido uma combinação de dívida de drogas e a migração da vítima para um grupo rival.

Entre os denunciados há um integrante que, mesmo preso, mantinha comunicação ativa com comparsas em liberdade. A acusação aponta que ele participava da coordenação das atividades criminosas, evidenciando o vínculo permanente com a facção.

O trabalho do Gaeco também descreve a audácia do grupo, que chegou a planejar portar armas de fogo em eventos públicos de grande circulação, como exposições agropecuárias, demonstrando desprezo pela segurança da população local.

Na peça apresentada à Justiça, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul pede a condenação dos cinco denunciados pelo crime de integrar organização criminosa armada, conforme a Lei nº 12.850/2013.