Focos de incêndio voltam a crescer no Pantanal e MS reforça combate em 2026
Estado registra 69 focos em janeiro, tem três incêndios ativos na região pantaneira e mantém plano contínuo de prevenção e resposta
MEIO AMBIENTEO Pantanal sul-mato-grossense voltou a acender o sinal de alerta neste começo de ano. Mato Grosso do Sul mantém equipes em prevenção, monitoramento e combate ao fogo e, nas últimas semanas, registrou aumento de focos de incêndio na planície pantaneira. Entre os casos em andamento estão um incêndio na área limítrofe do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, ao norte da Serra de Bodoquena, e outros dois focos na região do Nabileque e no norte de Corumbá, próximo ao Rio Paraguai.
O trabalho é coordenado pelo Governo do Estado, com atuação direta do Corpo de Bombeiros Militar. De acordo com a corporação, a combinação de vegetação densa, já recuperada dos incêndios de 2024, com um período prolongado de pouca chuva, criou um cenário que exige atenção redobrada em 2026.
As equipes lotadas em Corumbá têm atuado na linha de frente desses incêndios, tanto no combate direto às chamas quanto no planejamento das próximas ações. O subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA) do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, major Eduardo Rachid Teixeira, explica que a época do ano costuma registrar ocorrências, mas que, desta vez, a situação é mais grave.
“Historicamente há incêndios nessa época de chuvas, mas este ano os focos se apresentam com maior intensidade. Considerando esse cenário já estamos nos preparando estruturalmente para que tenhamos capacidade de resposta, o que está sendo feito nesse momento pela nossa unidade de Corumbá, que tem empregado equipes para combater os focos que atingem a região pantaneira”, afirma o major.
Enquanto uma parte do efetivo permanece em campo, outra equipe organiza o trabalho futuro. Segundo o Corpo de Bombeiros, essa segunda frente é responsável por desenhar estratégias, ajustar a logística e articular a integração com órgãos ambientais do Estado e da esfera federal, para que o enfrentamento ao fogo seja mais eficiente durante todo o ano.
Janeiro tem mais focos que em 2025 - Os números de janeiro reforçam o alerta. Entre o dia 1º e esta segunda-feira (26), os satélites de referência registraram 69 focos ativos de incêndio no Pantanal sul-mato-grossense, contra 34 no mesmo período do ano passado, conforme dados do BDQueimadas.
O combate em solo conta com apoio de uma aeronave Air Tractor do Corpo de Bombeiros na região do Morro do Azeite. Os sobrevoos ajudam a localizar novos focos, medir a extensão das áreas já atingidas e orientar com precisão o deslocamento das equipes terrestres. Esse tipo de operação é apontado como fundamental para conter o avanço do fogo em áreas de difícil acesso.
O esforço atual é continuidade de um plano que começou a ser fortalecido após 2024, ano em que Mato Grosso do Sul enfrentou a pior temporada de incêndios de sua história. Desde então, o Corpo de Bombeiros mantém, sem interrupção, ações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais no Pantanal.
A partir daquele período, o Governo do Estado intensificou medidas consideradas estruturantes, como a atuação integrada entre diferentes órgãos de resposta, o reforço logístico e operacional e o investimento em tecnologia e capacitação de pessoal. O objetivo é chegar mais rápido aos focos de incêndio e reduzir a área atingida pelas chamas.
Entre as estratégias destacadas está a implantação de Bases Avançadas em diferentes regiões do Pantanal. Essas estruturas aproximam as equipes das áreas de maior risco e permitem que o deslocamento até os focos seja feito em menos tempo, o que diminui a chance de o fogo se espalhar.
De acordo com o balanço da Operação Pantanal em 2025, os resultados dessa estratégia apareceram nos números. O ano passado foi o melhor da série histórica iniciada em 1998 em relação aos focos de calor em Mato Grosso do Sul. Até 31 de dezembro, foram registrados 1.844 focos, abaixo dos 2.111 contabilizados no primeiro ano da série.
A área queimada também caiu de forma significativa. Em 2025, o fogo atingiu 202.678 hectares, bem menos que em 2024, quando mais de 2,3 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas.