26 de janeiro de 2026 - 14h10

Déficit externo do Brasil chega a US$ 68,7 bilhões em 2025, aponta Banco Central

Resultado equivale a 3,02% do PIB e foi financiado principalmente por investimentos diretos no país

ECONOMIA
Banco Central divulgou dados consolidados das contas externas brasileiras referentes a 2025 - Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

As contas externas do Brasil fecharam 2025 com saldo negativo de US$ 68,791 bilhões, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central (BC). O valor corresponde a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB) e é semelhante, em proporção ao tamanho da economia, ao registrado no ano anterior.

Em 2024, o déficit em transações correntes havia sido de US$ 66,168 bilhões, equivalente a 3,03% do PIB. Essas transações englobam a movimentação de mercadorias, serviços e transferências de renda do país com o exterior.

De acordo com Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, o cenário das contas externas permanece consistente. Ele explicou que o déficit vinha em trajetória de crescimento até fevereiro de 2025, impulsionado pela expansão da demanda interna, mas apresentou estabilização até novembro, com recuo em dezembro.

O resultado de 2025 é o maior déficit anual desde 2014, quando o saldo negativo chegou a US$ 110,5 bilhões. Ainda assim, o BC avalia que o quadro segue administrável devido à forma como esse déficit foi financiado.

Investimentos sustentam o financiamento externo - Segundo Rocha, o déficit foi coberto principalmente por capitais de longo prazo, com destaque para os investimentos diretos no país (IDP), considerados de melhor qualidade por estarem associados ao setor produtivo. Em 2025, os investimentos diretos somaram US$ 77,676 bilhões, valor suficiente para cobrir integralmente o saldo negativo das transações correntes.

“Isso reafirma uma situação de contas externas bastante sólidas”, afirmou o chefe do Departamento de Estatísticas do BC.

Além disso, o país contou com uma fonte complementar de financiamento externo: os investimentos em títulos de renda fixa. Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram entrada líquida de US$ 15,284 bilhões, resultado da saída líquida de recursos em ações e fundos e da entrada expressiva em títulos de dívida.

Comércio exterior bate recordes - O Banco Central também destacou o desempenho da corrente de comércio em 2025. As exportações de bens alcançaram US$ 350,899 bilhões, alta de 3,2% em relação a 2024, enquanto as importações somaram US$ 290,947 bilhões, crescimento de 6,2% na comparação anual.

Com esses números, a balança comercial fechou o ano com superávit de US$ 59,952 bilhões, resultado 8,9% inferior ao observado em 2024, quando o saldo positivo foi de US$ 65,842 bilhões. Segundo o BC, a redução está associada ao crescimento mais intenso das importações.

Serviços e impacto das apostas online - O déficit na conta de serviços totalizou US$ 52,940 bilhões em 2025, queda de 4,1% frente ao ano anterior. Um dos fatores que contribuíram para esse movimento foi a redução de US$ 5 bilhões nas despesas líquidas com serviços culturais, pessoais e recreativos.

O Banco Central explicou que, desde janeiro de 2025, mudanças na legislação obrigaram as casas de apostas online a se tornarem empresas residentes no Brasil. Com isso, as transações relacionadas às apostas deixaram de integrar o balanço de pagamentos do setor externo.

Houve ainda aumento de US$ 1,1 bilhão nas receitas líquidas de serviços financeiros. Por outro lado, cresceram as despesas com propriedade intelectual e com telecomunicações, computação e informações, ligadas principalmente a plataformas digitais, como streaming e softwares.

Viagens internacionais e renda - Na conta de viagens internacionais, o déficit aumentou em 2025 e fechou em US$ 13,850 bilhões. As receitas, que correspondem aos gastos de estrangeiros no Brasil, somaram US$ 7,865 bilhões, enquanto as despesas de brasileiros no exterior chegaram a US$ 21,715 bilhões. Segundo Fernando Rocha, os gastos de turistas estrangeiros no país atingiram o maior valor da série histórica, iniciada em 1995.

O déficit em renda primária, que inclui lucros, dividendos, juros e salários, manteve-se em US$ 81,347 bilhões, o mesmo patamar de 2024. Já a renda secundária, formada por transferências sem contrapartida, como doações e remessas, apresentou superávit de US$ 5,543 bilhões, acima do resultado do ano anterior.

As reservas internacionais do Brasil encerraram 2025 em US$ 358,234 bilhões, aumento significativo em relação ao fim de 2024, quando estavam em US$ 329,730 bilhões. Para o Banco Central, o nível elevado de reservas contribui para a segurança externa do país em um cenário de maior integração com a economia internacional.