Supermercadistas em MS buscam equilíbrio entre preços, emprego e consumo diante dos desafios
Presidente da AMAS destaca papel econômico do setor, comparação com números nacionais e ações para 2026
CENÁRIO ECONÔMICOO setor supermercadista brasileiro é um dos principais pilares da economia nacional: em 2024, as redes e lojas do segmento faturaram R$1,067trilhão, o equivalente a 9,12% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo o Ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Essa atuação envolve centenas de milhares de lojas, mais de 424mil unidades no Brasil, e atende cerca de 30milhões de consumidores diariamente.
Em Mato Grosso do Sul, essa presença econômica é sentida diretamente nas cidades e no emprego local. Para comentar os desafios do setor, perspectivas de crescimento e impacto no bolso do consumidor, o Giro Estadual de Notícias conversou nesta segunda-feira (26) com o presidente da Associação SulMatoGrossense de Supermercados (AMAS), Éder Luiz de Oliveira.
Ao assumir a presidência da AMAS no início de 2026, Éder destacou que um dos primeiros objetivos da nova gestão é ampliar a participação dos supermercadistas, especialmente no interior do estado, para fortalecer a voz da categoria nos debates locais e regionais. A AMAS atua como interlocutora entre o setor e órgãos públicos em temas de fiscalização, leis municipais e estaduais que impactam diretamente as operações do varejo alimentar.
“O varejo supermercadista tem papel fundamental também na geração de empregos, muitas vezes sendo a porta de entrada para jovens no mercado de trabalho”, lembrou Éder. Dados nacionais estimam que o setor gera mais de 9milhões de empregos diretos e indiretos no país, ainda que existam desafios de contratação com cerca de 357mil vagas não preenchidas em 2024.
Ele reforça que, antes mesmo da nomenclatura “emprego formal”, o supermercado frequentemente representa o primeiro trabalho da vida de muitas pessoas, ensinando rotinas de atendimento ao público, gestão de caixa e controle de estoque, habilidades valorizadas em toda a economia.
Um dos temas mais sentidos por consumidores é o preço dos alimentos nas gôndolas. Éder reconheceu que a inflação em produtos sazonais como frutas, legumes e carnes continua a impactar o orçamento das famílias. “Esses itens sofrem variação de preço que muitas vezes não está sob o controle do supermercadista, mas refletida diretamente nos valores ao consumidor”, explicou.
Ele destacou que o setor busca, sempre que possível, não repassar todos os custos aos clientes, mantendo competitividade ao mesmo tempo em que investe em qualidade de serviço e variedade de produtos.
Concorrência com atacarejos e adaptação do varejo tradicional - A relação entre o varejo supermercadista tradicional e os formatos de atacarejo, que combinam características de atacado e varejo, também foi tema da conversa. Segundo Éder, essa dinâmica competitiva faz parte do cenário atual do consumo, já que enquanto os atacarejos costumam oferecer preços mais baixos em compras em maior volume, eles também ampliaram serviços como padaria, açougue e pagamento com cartão, o que eleva os custos operacionais desse modelo de negócio.
“Hoje, o consumidor tem opções diversas, e cabe ao supermercado de bairro se diferenciar pelo atendimento, rapidez e proximidade com o cliente”, disse Éder. Esse movimento reflete uma tendência nacional de convergência entre formatos e serviços oferecidos ao público.
Atualmente, a escassez de mão de obra qualificada é um desafio que diante do cenário, redes supermercadistas têm apostado em ações de atração e retenção de colaboradores, além de investimentos em tecnologia para agilizar o atendimento.
Éder citou como exemplo a adoção de totens de autoatendimento (selfcheckout), que têm atraído consumidores que buscam rapidez. “Em algumas lojas, observamos mais clientes no selfcheckout do que nas filas tradicionais, o que mostra que o público, especialmente os mais jovens, valoriza a autonomia”, comentou.
Entre as discussões que podem impactar o varejo em 2026 está a possível alteração nas regras da jornada de trabalho (como o fim da escala 6×1), que preocupa supermercadistas por aumentar custos de operação. “Se essas mudanças forem implementadas sem um meiotermo que considere as especificidades do comércio, isso pode onerar ainda mais o setor e refletir no preço ao consumidor”, afirmou Éder.
A AMAS, em conjunto com entidades nacionais como a Abras, acompanha essas pautas junto ao Congresso para buscar soluções que equilibrem direitos trabalhistas e viabilidade econômica do varejo.
Agenda de ações e capacitação para 2026
Para este ano, a AMAS já estruturou um calendário de eventos e iniciativas voltados ao fortalecimento do setor, incluindo:
Cafés de Negócios, com temas ligados à legislação, fiscalização e inovação;
Capacitação e treinamentos, voltados para qualificação de colaboradores e novas tecnologias;
Interiorização de ações, levando informação e cursos para supermercadistas de polos regionais como Dourados, Três Lagoas e Coxim;
Feira anual de supermercados, evento que reúne fornecedores, indústrias e varejistas para apresentar tendências e soluções para o setor.
“É importante que o consumidor pesquise e compare preço e qualidade, pois o setor oferece uma vasta gama de produtos e serviços”, aconselhou. Segundo ele, supermercados trabalham com o objetivo de oferecer preço justo e variedade, mesmo diante de pressões econômicas que impactam todo o país. Confira a entrevista na íntegra: