Mateus Maia | 25 de janeiro de 2026 - 18h40

PF inicia oitivas da operação Compliance Zero sobre tentativa de compra do Banco Master

Investigação apura carteiras de crédito fictícias e ativos inflados em negociação rejeitada pelo Banco Central

INVESTIGAÇÃO FINANCEIRA
Polícia Federal aprofunda investigação sobre tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

A Polícia Federal começa a ouvir, a partir desta segunda-feira (26), oito investigados no âmbito da operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos serão realizados por videoconferência ou presencialmente na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e seguem até terça-feira (27), entre 8h e 16h.

Entre os convocados estão diretores e ex-executivos do Banco Master e do BRB, além de empresários ligados às operações financeiras sob suspeita. As oitivas devem aprofundar a apuração sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em supostas carteiras falsas de crédito ao BRB e sobre uma estrutura paralela de fundos e ativos inflados, que, segundo o Banco Central (BC), somam outros R$ 11,5 bilhões. Essas operações envolveriam a gestora Reag DTVM.

O caso ganhou repercussão após o BRB anunciar, em 28 de março de 2025, a intenção de adquirir o Banco Master para formar um novo conglomerado financeiro controlado pela estatal. Desde o início, a operação levantou dúvidas sobre a real qualidade dos ativos do Master. Em 3 de setembro do mesmo ano, o Banco Central reprovou oficialmente a negociação.

A partir da negativa do BC, as investigações se intensificaram e passaram a apontar para uma estrutura baseada em operações consideradas irregulares, fraudulentas ou enganosas. O foco das apurações é demonstrar que as transações tinham como objetivo aparente inflar artificialmente os números do Banco Master, sustentando a imagem de solidez necessária para manter operações e atrair parceiros comerciais.

Nos últimos anos, o Banco Master apresentou crescimento acelerado com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que ofereciam rentabilidade acima da média do mercado. A estratégia de captação era fortemente baseada na proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). As investigações indicam, no entanto, que os balanços do banco apresentavam ativos superavaliados, por meio de fundos suspeitos e operações de crédito consignado de qualidade questionável, enquanto os passivos eram significativamente superiores.

Investigados que prestarão depoimento

Foram chamados para depor na operação Compliance Zero:

A primeira fase da operação levou à prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no dia 17 de novembro de 2025, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição. Ele é apontado como líder do esquema que teria vendido créditos fictícios ao BRB, mas acabou sendo solto posteriormente.

Desde então, o avanço das investigações resultou na liquidação de outras instituições ligadas ao caso. No último dia 15, o BC determinou a liquidação da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Trust. Já na quarta-feira (21), foi a vez do Will Bank ter suas operações encerradas.