Redação O Estado de S. Paulo* | 25 de janeiro de 2026 - 21h00

Zelenski diz que acordo de garantias de segurança com os EUA está pronto para assinatura

Documento foi fechado após negociações em Abu Dhabi e depende de aval do Congresso americano e do Parlamento ucraniano

INTERNACIONAL
Zelenski afirmou que acordo de garantias de segurança com os EUA está pronto e aguarda assinatura. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, afirmou neste domingo (25) que o documento de garantias de segurança dos Estados Unidos para Kiev está “100% pronto” após dois dias de conversas realizadas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. As negociações envolveram representantes da Ucrânia, dos EUA e da Rússia e agora aguardam a definição de uma data para a assinatura por parte do governo americano.

Em conversa com jornalistas durante visita oficial à Lituânia, Zelenski explicou que, após a assinatura, o texto ainda precisará ser enviado ao Congresso dos Estados Unidos e ao Parlamento da Ucrânia para ratificação. Segundo ele, o acordo é considerado estratégico para a segurança do país em meio à guerra iniciada pela invasão russa, que já se estende por quase quatro anos.

Além das garantias militares, o presidente ucraniano voltou a destacar a importância da integração europeia. Zelenski afirmou que a Ucrânia trabalha para aderir à União Europeia até 2027 e classificou o processo como uma “garantia de segurança econômica” para o futuro do país.

Conversas com Rússia expõem impasses

Zelenski descreveu as reuniões em Abu Dhabi como um dos primeiros formatos trilaterais em “bastante tempo” a reunir não apenas diplomatas, mas também representantes militares dos três países. Os encontros ocorreram entre sexta-feira (23) e sábado (24) e fazem parte de uma série de iniciativas internacionais para tentar encerrar o conflito em larga escala.

Apesar do avanço nas conversas, o presidente ucraniano reconheceu que ainda existem divergências profundas entre Kiev e Moscou, principalmente em relação às questões territoriais. “Nossa posição em relação ao nosso território, a integridade territorial da Ucrânia, deve ser respeitada”, afirmou.

Enquanto isso, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, discutiu possíveis caminhos para um acordo com enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Moscou, na última quinta-feira. O Kremlin tem reiterado que, para qualquer entendimento, a Ucrânia precisaria retirar suas tropas de áreas do leste do país que a Rússia anexou ilegalmente, mas que não controla totalmente.

Zelenski disse que os Estados Unidos tentam buscar um ponto de equilíbrio entre as partes, mas ressaltou que um acordo só será possível se houver disposição real de todos os lados. “Todos devem estar prontos para um compromisso”, declarou.

Próximos passos das negociações

De acordo com um oficial dos EUA ouvido pela agência Associated Press, as delegações devem retornar aos Emirados Árabes Unidos no próximo domingo (1º) para uma nova rodada de negociações. As conversas mais recentes trataram de temas militares e econômicos e incluíram a possibilidade de um cessar-fogo antes de um acordo definitivo.

Ainda não houve consenso, porém, sobre um modelo final de supervisão e operação da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, que permanece sob ocupação russa. O tema segue como um dos pontos mais sensíveis da negociação.