São Paulo vive maratona entre risco no Paulista e estreia no Brasileiro
Tricolor escapa da zona de rebaixamento com combinação de resultados, encara início da Série A contra o Flamengo e tenta virar a chave com nova presidência e discurso de foco no futebol
FUTEBOL BRASILEIROO São Paulo saiu da rodada do fim de semana sob pressão, mas ainda fora da zona de rebaixamento do Paulistão. A derrota para o Palmeiras poderia ter empurrado o time para a “degola”, não fosse o empate entre Noroeste e Ponte Preta, justamente os dois clubes que estão abaixo do Tricolor na tabela.
Mesmo com esse alívio momentâneo, o cenário continua delicado. O time precisa somar pontos para não cair no estadual e, ao mesmo tempo, já se prepara para a estreia no Campeonato Brasileiro, na quarta-feira, contra o Flamengo, em casa.
O empate entre Noroeste e Ponte Preta evitou que o São Paulo começasse a semana dentro da zona de rebaixamento. A classificação continua apertada e qualquer novo tropeço pode mudar o quadro rapidamente.
Na prática, o elenco entra em uma sequência em que cada partida vale muito: no Paulista, para afastar o risco de queda; no Brasileiro, para não largar atrás já na primeira rodada.
Nova presidência traz calma relativa - Em meio à maratona de jogos, o ambiente político passou por uma mudança importante. A posse definitiva de Harry Massis Júnior, após a renúncia do ex-presidente Julio Casares, é vista como um fator de tranquilização no vestiário.
O goleiro Rafael, capitão da equipe, fez questão de destacar o efeito da troca no comando do clube.
"O presidente novo já chegou, já trouxe um pouco mais de calma. Acho que vale ressaltar isso também, que agora a gente começa a fazer os planos realmente para construir um caminho. Sabemos que vai ser difícil", afirmou.
A fala mostra que, mesmo com o discurso de dificuldade, os jogadores veem na nova gestão uma chance de reorganizar o planejamento e diminuir o ruído político que marcou o início da temporada.
Política ainda pesa, admite capitão - Rafael não escondeu que a crise interna interferiu no futebol. Segundo ele, parte da cúpula ficou mais voltada para disputas políticas do que para as demandas do time.
"Nossos dirigentes, tirando o Rui (Costa, executivo de futebol) que está no dia a dia ali, pensando muito na questão política, no que estava acontecendo com o clube... E aí, quando acontece isso, acaba se esquecendo um pouco ou dividindo a atenção do futebol. Com certeza, atrapalha o início, que é muito importante para nós, mas também tem a nossa culpa dentro de campo. É claro que nesse momento turbulento, oscilações vão acontecer também", avaliou.
O capitão divide responsabilidades: reconhece que o ambiente externo atrapalha, mas também admite falhas da equipe dentro de campo.
Rui Costa ganha respaldo do elenco - Em meio a críticas e pressões pela saída de dirigentes, um nome foi publicamente defendido pelo vestiário: o executivo de futebol Rui Costa, mantido por Harry Massis Júnior mesmo sob contestação.
Rafael elogiou o dirigente e destacou seu papel na tentativa de blindar o elenco.
"Eu ainda mantenho boas energias e confio muito nesse elenco, no grupo, na comissão técnica também, que tenta ao máximo nos blindar todos os dias. O Rui, que está também todos os dias lá conosco, também tentando nos blindar de toda essa parte política", disse.
O recado é claro: jogadores e comissão técnica pedem que as atenções saiam dos bastidores e voltem para o campo, em um momento em que o time tenta reagir tanto no Paulista quanto no Brasileiro.
"É pensar agora jogo a jogo, na nossa evolução dentro de campo, sair cada vez mais dessas perguntas de âmbito político e cada vez mais intensificando o nosso foco no futebol, que é realmente o que a gente precisa", concluiu o goleiro.
Investigações seguem, mas discurso é de foco no campo - Mesmo com a troca na presidência, o clube ainda convive com investigações da Polícia Civil envolvendo diretores em diferentes inquéritos. A direção afirma que o São Paulo vai colaborar com as autoridades e tenta reduzir o impacto do noticiário nos jogadores.
Entre vestiário e diretoria, a mensagem que se tenta repetir é a mesma: falar menos de política e mais de desempenho. Na prática, porém, o elenco ainda precisa lidar com a combinação de cobranças, pressão da torcida e resultados abaixo do esperado.
Risco no Paulista e estreia pesada no Brasileiro - Enquanto observa a parte de baixo da tabela do Paulistão, o São Paulo também entra no Brasileirão com um discurso cauteloso. O técnico Hernán Crespo já havia falado em disputar a Série A “pelos 45 pontos”, número associado à briga para se manter longe do rebaixamento.
Mesmo assim, tanto o treinador quanto os jogadores dizem acreditar em melhora de desempenho. A expectativa é que a estabilização política e uma rotina com menos interferência nos bastidores ajudem a dar mais segurança ao trabalho.
A estreia contra o Flamengo, em casa, será um teste imediato da capacidade do Tricolor de reagir sob pressão. Logo depois, o time volta a dividir atenções com o Paulista, em sequência que pode definir o tom da temporada.
Calendário apertado e pouco espaço para erro - O São Paulo vive uma maratona em que treinos cheios dão lugar a viagens, recuperações físicas e ajustes rápidos. Em meio a isso, cada ponto passa a ser valioso tanto no estadual quanto na Série A.
Veja os próximos jogos do São Paulo:
28/01 – Flamengo (casa) – Campeonato Brasileiro
31/01 – Santos (casa) – Paulistão
04/02 – Santos (fora) – Campeonato Brasileiro
07/02 – Primavera (casa) – Paulistão
11/02 – Grêmio (casa) – Campeonato Brasileiro
15/02 – Ponte Preta (fora) – Paulistão