Iury de Oliveira | 25 de janeiro de 2026 - 08h30

Homem mata ex-esposa a pauladas dentro de casa em Corumbá

Rosana Candia Ohara, de 62 anos, é morta na Vila Guarani e caso é o segundo feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026

FEMINICÍDIO
Ex-marido mata Rosana Candia Ohara a pauladas em Corumbá; caso é o segundo feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Uma mulher de 62 anos foi morta a pauladas pelo ex-marido dentro da casa onde vivia, na Vila Guarani, em Corumbá, a cerca de 430 quilômetros de Campo Grande, na madrugada deste domingo (25). A vítima é Rosana Candia Ohara. O suspeito do crime é Antônio Lima Ohara, de 73 anos, que foi preso em flagrante horas depois. O caso foi registrado como feminicídio.

De acordo com o boletim de ocorrência, o crime aconteceu na residência do casal, localizada na Rua Bahia. Vizinhos relataram ter ouvido gritos de socorro vindos do quintal durante a madrugada. Ao olhar por cima do muro, testemunhas viram Antônio agredindo Rosana com um pedaço de madeira.

Segundo os depoimentos, Rosana já estava caída no chão quando as agressões continuaram. Uma das testemunhas ainda tentou intervir, pedindo que o agressor parasse e alertando que ele poderia matar a ex-esposa. Mesmo assim, ele não interrompeu o ataque.

Diante da gravidade da situação, um dos vizinhos acionou a Polícia Militar pelo telefone 190. Enquanto isso, outros moradores tentavam se proteger, com medo de que a violência se voltasse contra eles.

Após o ataque, conforme o relato das testemunhas, Antônio deixou o interior da casa e passou a ameaçar quem tentou ajudar a vítima. Ele afirmou que, se alguém se aproximasse, “iria sobrar” para essa pessoa. Em seguida, pegou uma faca, colocou o objeto em uma bicicleta e fugiu do local.

Quando vizinhos conseguiram entrar na residência, encontraram Rosana caída no chão, gravemente ferida. O Corpo de Bombeiros foi chamado e iniciou os primeiros atendimentos ainda no imóvel. Apesar das tentativas de reanimação, a vítima não resistiu. O óbito foi confirmado por um médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

A Polícia Militar isolou o imóvel até a chegada da Polícia Civil e da perícia. No local, peritos constataram lesões graves na região da cabeça da vítima, compatíveis com as agressões relatadas pelas testemunhas. O pedaço de madeira utilizado no crime não é mencionado no registro como apreendido, mas as evidências colhidas apontam para um ataque extremamente violento.

Depois de buscas realizadas pela polícia, Antônio foi localizado horas mais tarde na casa de familiares. Ele foi preso em flagrante. Durante a abordagem, de acordo com o boletim, o homem voltou a fazer ameaças, desta vez contra os próprios policiais. Ele foi encaminhado à delegacia, onde permanece à disposição da Justiça.

O caso foi registrado como feminicídio e será investigado pela Polícia Civil de Corumbá, com acompanhamento da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). A linha de investigação deve considerar o contexto de violência de gênero, já que a vítima era ex-esposa do autor e foi morta dentro da residência do casal.

Segundo feminicídio do ano em MS - O crime em Corumbá é o segundo feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026. No dia 16 de janeiro, Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta pelo marido na zona rural de Bela Vista, a 325 quilômetros de Campo Grande. Após o crime, o autor, identificado como Fernando Veiga, morreu em seguida.

Os dois casos, ocorridos com poucos dias de diferença, reforçam a gravidade da violência contra a mulher no estado. Em ambos, os suspeitos são companheiros ou ex-companheiros das vítimas, repetindo um padrão comum nos registros de feminicídio no país.

Denúncia e canais de ajuda - O material divulgado pelas autoridades reforça que a violência doméstica, seja física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial, não pode ser tratada como problema restrito ao casal. Vizinhos, familiares e qualquer pessoa que testemunhe ou desconfie de situações de agressão são orientados a denunciar.

A Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, funciona 24 horas por dia, com ligação gratuita e possibilidade de atendimento anônimo. O serviço oferece orientação e acolhimento a vítimas de violência e também a pessoas próximas que queiram ajudar.

Em casos de emergência, quando há risco imediato à integridade física da vítima, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. A ligação é gratuita e pode ser feita de qualquer telefone.

As autoridades reforçam que, em situações de ameaça, vizinhos e familiares não devem tentar enfrentar o agressor diretamente, para não se colocarem em risco. A recomendação é chamar a polícia e fornecer o máximo de informações possíveis sobre o que está acontecendo.

O caso de Rosana, assim como o de Josefa em Bela Vista, mostra que a rapidez na denúncia pode ser decisiva para evitar mortes. Mesmo quando a agressão já ocorreu, o registro formal ajuda a responsabilizar autores e a construir um histórico que pode contribuir para prevenir novos casos.

Se você vive ou presencia qualquer forma de agressão contra mulheres, crianças, idosos ou outras pessoas em situação de vulnerabilidade, a orientação é sempre denunciar. O 180 presta informação e acolhimento durante todo o dia. Em risco imediato, o número a ser acionado é o 190. Um telefonema pode representar a diferença entre a vida e a morte.