O Estado de S. Paulo. | 25 de janeiro de 2026 - 07h30

Palácio do Planalto instala grades antes da chegada de Nikolas Ferreira

Grades foram instaladas por segurança; marcha liderada pelo deputado chega à Brasília neste domingo

POLÍTICA
O deputado Nikolas Ferreira lidera caminhada em direção à Brasília - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O Palácio do Planalto amanheceu cercado por grades de proteção no sábado (24), em Brasília. A medida foi adotada diante da manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que percorre rodovias em direção à capital federal e tem previsão de chegada neste domingo (25).

Segundo o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), a instalação das grades segue protocolos adotados sempre que há possibilidade de atos próximos à sede do governo federal. Em nota, o órgão informou que a ação tem caráter preventivo diante de manifestações programadas nas imediações do prédio presidencial.

A caminhada foi convocada por Nikolas Ferreira em protesto contra as condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023. O percurso previsto é de aproximadamente 240 quilômetros. O movimento começou com adesão reduzida, mas passou a mobilizar mais apoiadores ao longo da última semana, impulsionado por publicações nas redes sociais.

O crescimento do ato ocorreu dias depois de setores do bolsonarismo cobrarem maior engajamento público em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A manifestação passou a ser tratada por autoridades de segurança como um evento que exigia monitoramento constante.

Na sexta-feira (23), a Polícia Rodoviária Federal encaminhou um ofício ao gabinete do deputado informando que adotaria providências para garantir a segurança dos manifestantes e dos demais usuários das rodovias por onde o grupo circula. De acordo com a equipe de Nikolas, o contato teve caráter preventivo e não trouxe determinações formais.

No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada imediata de acampamentos e proibiu a permanência de manifestantes nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. No local, está custodiado o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão autoriza prisão em flagrante em caso de descumprimento da ordem.

A medida atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República, que apontou risco à segurança do sistema prisional. A PGR alertou para a possibilidade de repetição de atos semelhantes aos registrados antes dos ataques às sedes dos Três Poderes, em janeiro de 2023.

De acordo com a Procuradoria, após a transferência de Bolsonaro para o Núcleo de Custódia da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, grupos passaram a se concentrar em frente ao local. Foram registradas barracas, faixas com pedidos de anistia e liberdade ao ex-presidente, além da divulgação de vídeos nas redes sociais.

Na decisão, Alexandre de Moraes afirmou que o direito à livre manifestação não pode ser exercido de forma abusiva. O ministro destacou que garantias constitucionais não se sobrepõem à preservação da ordem pública e à proteção de outros direitos.