Crespo admite risco de queda no Paulistão e mira fazer 45 pontos no Brasileirão
São Paulo vive rara ameaça de rebaixamento no estadual após nova derrota para o Palmeiras, e técnico projeta reação com reforços, base e meta no Brasileirão
FUTEBOL BRASILEIROO São Paulo vive uma situação pouco comum na sua história recente: além da pressão por resultados, o time entra na reta final do Paulistão preocupado com a tabela da parte de baixo. Após a derrota para o Palmeiras neste sábado (24), na Arena Barueri, o técnico Hernán Crespo admitiu que o clube está em alerta para evitar o rebaixamento e já projeta o Brasileirão com uma meta clara: fazer 45 pontos.
Antes do clássico, Crespo foi direto ao falar do contexto tricolor, dizendo que o São Paulo "vive o pior momento de sua história". Depois do jogo, tentou equilibrar o discurso, sem negar o problema.
"Estamos preocupados sim. Temos de nos preocupar com isso", afirmou o treinador ao comentar a situação no estadual.
Atualmente, o São Paulo é o 14º colocado, com apenas 4 pontos. O time não entrou na zona de rebaixamento porque o Noroeste, penúltimo, empatou com a lanterna Ponte Preta, também no sábado. Mesmo fora da chamada "zona da degola", o risco é real caso a sequência de tropeços continue.
Três rodadas para fugir da ameaça - Crespo lembrou que ainda há margem para reação no Paulistão, mas deixou claro que o time precisa encarar cada jogo como decisivo. Na reta final da primeira fase, o São Paulo enfrenta Santos, Primavera e Ponte Preta.
"Teremos três rodadas, com Santos, Primavera e Ponte Preta, que pode acontecer de tudo. Também podemos nos qualificar e classificar. Temos de ir jogo a jogo", projetou.
A combinação de poucos pontos, desempenho irregular e pressão externa faz com que o clube viva um cenário de urgência, algo raro para o São Paulo em campeonatos estaduais. Cada partida passou a ter peso de decisão, seja para afastar o risco de queda, seja para ainda tentar uma classificação improvável.
Derrota para o Palmeiras não preocupa tanto quanto atuação contra a Portuguesa - Mesmo admitindo o momento difícil, Crespo fez diferença entre as últimas derrotas. Para ele, o revés para a Portuguesa foi mais alarmante do que o resultado diante do Palmeiras.
"Acho que ninguém gosta da derrota, ninguém. Mas existem derrotas e derrotas. Para a Portuguesa foi realmente preocupante. Hoje não. Faz mal? Sim, claro. Ninguém quer perder. Mas acho que o time está crescendo", avaliou.
O técnico considerou que o São Paulo teve condições de sair com um resultado melhor na Arena Barueri, mas esbarrou nas finalizações, enquanto o rival foi mais eficiente perto do gol.
"Acho que a diferença real foi de hierarquia. Eles concretizaram e a gente não. Mas o jeito de jogar, com atitude, com a vontade de brigar, de tentar jogar. De criar jogo, de criar ocasiões. Acho que esse é o caminho, é por aqui", analisou.
Crespo voltou a citar a maratona de jogos e o calendário pesado do futebol brasileiro como fatores que interferem no rendimento, mas insistiu que viu evolução no desempenho do time, mesmo com o resultado negativo e a manutenção do tabu de 10 jogos sem vitória sobre o Palmeiras.
Foco no elenco para superar crise dentro e fora de campo - Nos últimos dias, o técnico argentino também tem comentado sobre o ambiente conturbado do clube fora de campo. Depois do clássico, porém, ele optou por tratar o tema de forma mais curta e colocou a responsabilidade principalmente em jogadores e comissão técnica.
"No momento que está o clube, é a gente", resumiu.
A frase reflete a tentativa de blindar o vestiário em meio a críticas, problemas políticos e cobranças da torcida. Para Crespo, o caminho para sair do que ele mesmo chamou de "pior momento" passa por união do grupo, desempenho mais sólido e aproveitamento das chances em campo.
Reforços, garotos de Cotia e meta de 45 pontos - Apesar do risco no Paulistão, Crespo já olha adiante. Em sua fala, o treinador fez questão de mencionar a chegada de reforços e a utilização de jovens das categorias de base, que voltam após a disputa da Copinha.
"Estou confiante. Acho que em breve as coisas começarão a melhorar. Chegarão reforços, chegarão também os meninos depois da Copinha... acho que temos futuro", disse.
Na sequência, ele foi objetivo ao traçar um plano numérico para o Campeonato Brasileiro: "Mas o futuro, como falei: no Brasileirão, 45 pontos. Esse é o futuro. E tentar construir como jogamos hoje".
A meta de 45 pontos costuma ser o número usado por muitos treinadores como referência mínima para evitar a zona de rebaixamento no Brasileirão. Ao citá-la, Crespo indica que o primeiro objetivo na competição nacional é garantir segurança na tabela, para só depois pensar em voos mais altos.
Ele acredita que o comportamento mostrado contra o Palmeiras, com mais intensidade e criação de jogadas, pode servir de base para o restante do ano, desde que o time seja mais eficiente na hora de concluir.
"Com reforços e os meninos de Cotia, dá para acreditar na temporada, que vai ser difícil, como todo mundo sabe, mas vai dar certo", completou.
Próximos passos: Santos no MorumBis e reta final do estadual - O próximo compromisso do São Paulo no Paulistão será no sábado (31), contra o Santos, no MorumBis. O clássico em casa ganha peso não apenas pela rivalidade, mas pela necessidade de pontuar.
Uma vitória pode aliviar a pressão, afastar o time da parte mais perigosa da tabela e dar confiança para os duelos seguintes com Primavera e Ponte Preta. Por outro lado, um novo tropeço em casa tende a aumentar ainda mais a cobrança sobre elenco e comissão técnica.
Entre a preocupação com o rebaixamento no estadual e o planejamento de um Brasileirão em que fala em fazer 45 pontos, Crespo tenta equilibrar alerta e esperança. Ele admite o tamanho do problema, mas repete que vê sinais de crescimento em campo e aposta na mistura de reforços com os meninos de Cotia para mudar o rumo da temporada.