Redação | 24 de janeiro de 2026 - 10h35

Ex-controlador do Banco Master nega crimes à PF e diz ser alvo de perseguição no mercado financeiro

Daniel Vorcaro afirma que operações investigadas não causaram prejuízo e critica atuação do FGC e do BC

INVESTIGAÇÃO
Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal e negou irregularidades na gestão do Banco Master - (Foto: Divulgação)

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro, no âmbito das investigações que apuram supostas irregularidades financeiras e gestão temerária na instituição. Preso preventivamente na Operação Compliance Zero, ele negou ter cometido crimes e afirmou que as operações investigadas não causaram prejuízo ao sistema financeiro.

Durante a oitiva, Vorcaro defendeu a legalidade das negociações envolvendo o BRB (Banco de Brasília) e declarou ser vítima de perseguição por concorrentes do setor bancário e por setores do Banco Central. Segundo ele, a crise enfrentada pelo Banco Master não teve origem em falhas de gestão, mas em mudanças regulatórias que teriam alterado o funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O ex-controlador afirmou que o modelo de negócios da instituição dependia integralmente do fundo garantidor, prática que, segundo ele, estava dentro das regras vigentes à época. Vorcaro sustentou que alterações nas normas do FGC teriam sido motivadas por pressão dos grandes bancos, o que teria comprometido a liquidez do Master. Ao ser questionado sobre alertas do fundo, disse perceber uma resistência institucional ao uso do mecanismo.

Um dos principais pontos do depoimento foi a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) lastreadas em carteiras da empresa Tirreno. Vorcaro afirmou que a operação não chegou a ser concluída e que os recursos permaneceram retidos, o que, segundo ele, afasta a configuração de crime ou fraude. O banqueiro destacou que não houve prejuízo ao BRB, aos clientes ou vantagem financeira para o Banco Master.

Vorcaro também confirmou encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), mas negou que as reuniões tivessem relação com pedidos de facilitação política para a venda do banco ao BRB. Segundo ele, os contatos foram pontuais e não envolveram qualquer tipo de influência institucional. O empresário citou a própria prisão como argumento para contestar a tese de tráfico de influência.

Outro ponto abordado foi a atuação do Banco Central. Vorcaro afirmou que as operações do Banco Master eram acompanhadas de forma contínua pela autarquia e atribuiu sua prisão a uma disputa interna dentro do BC. Segundo ele, havia divergência entre setores que defendiam uma solução de mercado e outros que teriam optado por uma intervenção mais dura, culminando na liquidação decretada em novembro.

Sobre a suspeita de tentativa de fuga, relacionada a uma viagem marcada para Dubai no dia seguinte à deflagração da operação policial, Vorcaro negou qualquer intenção de deixar o país. Ele afirmou que a viagem era de negócios e que o Banco Central havia sido previamente informado. O banqueiro disse ainda que não imaginava a existência de um mandado de prisão contra ele.

Ao final do depoimento, Vorcaro pediu que as investigações fossem conduzidas sem influência da repercussão pública e afirmou que não houve prejuízo financeiro decorrente das operações apuradas. Segundo ele, não existiria fraude no valor apontado pelas autoridades.